Consumo de energia por ar-condicionado triplica em 12 anos

Segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética, aquisição do aparelho por parte do setor residencial subiu 9% ao ano entre 2005 e 2017

Felipe Cardoso/ Especial para o MetrópolesFelipe Cardoso/ Especial para o Metrópoles

atualizado 26/12/2018 11:24

O aparelho de ar-condicionado está deixando de ser luxo na vida do brasileiro para se tornar uma necessidade, como fogão e geladeira, apesar da dor de cabeça que pode causar pelo inevitável aumento da conta de luz. De acordo com um estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o consumo de energia elétrica por condicionadores de ar no setor residencial mais que triplicou nos últimos 12 anos. Já a compra de novos aparelhos por residências subiu 9% ao ano entre 2005 e 2017.

O analista de suporte Cleber José Gomes Clemente, 50 anos, não vê a hora de comprar o seu aparelho para enfrentar o verão, mesmo que as bandeiras tarifárias ameacem o orçamento familiar. Ele tem como prioridade a aquisição do eletrodoméstico em janeiro, assim que entrar de férias. De preferência à vista e o mais rápido possível, nem que para isso seja necessário cortar outros prazeres, como a TV a cabo e um pacote mais generoso de internet.

“Esse fim de ano o calor está fora do controle, precisa ter conforto pra dormir, e até para se alimentar. A gente abre mão de uma TV a cabo, baixa o pacote da internet e no final do mês sabe que (a economia) é para a conta de luz, vale a pena”, destacou.

No momento trabalhando com a bandeira verde, que não acrescenta nenhum real à conta de luz por causa de chuvas melhores e reservatórios de hidrelétricas mais cheios, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) teve que acionar este ano cinco vezes a bandeira vermelha – responsável por acrescentar R$ 0,050 para cada quilowatt-hora consumido – e duas vezes a bandeira amarela – mais R$ 0,010 para cada quilowatt-hora (kWh).

Apesar de terem pesado no bolso, os ajustes das tarifas de 2018 foram mais amenos na comparação com os de 2017, quando a Aneel acionou seis vezes a bandeira vermelha e três a amarela, sobrando apenas três meses sem acréscimo nas contas de luz.

Segundo o estudo da EPE, a conta do consumidor pode ser mais branda se os aparelhos adquiridos cumprirem os requisitos de eficiência energética. “Políticas de etiquetagem e índices mínimos de eficiência energética podem eliminar do mercado equipamentos menos eficientes e encorajar os fabricantes a desenvolverem e ofertarem equipamentos mais eficientes”, informou a EPE.

Os índices mínimos de eficiência energética para condicionadores de ar foram implantados em 2007 e revisados em 2011 e, posteriormente, em 2018.