Ajustes de 1999 e 2003 foram eficazes e reverteram desequilíbrios, diz Fazenda
O documento apresenta vantagens do quadro econômico atual, analisa medidas tomadas pelo governo e defende a importância de iniciativas para a retomada do crescimento, como a elevação de tributos
atualizado
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O Ministério da Fazenda divulgou nesta quinta-feira, 15, um estudo que compara o cenário econômico deste ano com ciclos de ajuste nos períodos de 1999/2000 e 2003/2004. O documento apresenta vantagens do quadro econômico atual, analisa medidas tomadas pelo governo e defende a importância de iniciativas para a retomada do crescimento, como a elevação de tributos. Os argumentos vêm em linha com a fala do ministro Joaquim Levy no plenário da Câmara na quarta-feira, 14.
De acordo com o estudo, a economia brasileira neste ano guarda paralelos com os ciclos de ajuste de 1999/2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, e, em menor proporção, com o de 2003/2004, na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. O ministério avalia que ambos os ciclos “se mostraram eficazes em devolver o crescimento à economia, revertendo desequilíbrios acumulados em anos anteriores ou dúvidas sobre a política econômica futura”.Entre as vantagens apresentadas como diferencial no cenário de 2015, estão a existência de reservas internacionais, nível baixo de desemprego e mesmo o arcabouço fiscal do País. “Essas vantagens podem ser aproveitadas para garantir uma virada econômica, considerando o papel de uma política fiscal robusta e do que precisa ser feito para ir além da simples retomada cíclica”, avalia.
O estudo mostra que o tamanho da desvalorização cambial desde meados de 2014 é semelhante aos episódios anteriores. Em 1999, o câmbio se desvalorizou 60,8% em um ano. Em 2003, a depreciação foi de 64,2% em seis meses. No ciclo atual, a depreciação foi de 76,0% entre julho de 2014 e setembro de 2015.
O ministério avalia que a economia brasileira está no momento em que a depreciação cambial começa a surtir seus efeitos no setor externo, tendo revertido um déficit de US$ 3,8 bilhões acumulado em 12 meses até fevereiro deste ano para um superávit de US$ 7,0 bilhões nos 12 meses encerrados no mês passado.
