Doméstica presta Enem no Rio e sonha em estudar psicologia

Ela se preparou para a prova em casa com a leitura de livros, pesquisa na internet, fazendo testes e se informando por vídeos no YouTube

atualizado 10/11/2019 17:50

Reprodução

A empregada doméstica Ivanilda Pires Pereira, 35 anos, estava ansiosa pelo segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio 2019 (Enem), neste domingo (10/11/2019). Realizando a prova pela terceira vez, a moradora da comunidade da Rocinha disse ao UOL que seu o sonho é cursar psicologia.

De acordo com ela, a necessidade de repetir a prova veio, à princípio, pela falta de informação. “É a terceira tentativa que eu faço, a primeira foi frustrada porque não consegui encaixar pontos no Sisu, não sabia que existia Sisu”, disse. “Na segunda [tentativa], cheguei no portão e meu coração disparou e desisti, achei que não ia conseguir. Essa é a terceira que estou encarando, mesmo com todas as dificuldades”, afirmou.

A preparação para a prova foi feita em casa. Leitura de livros, pesquisa na internet, fazendo testes e se informando por vídeos de professores no YouTube. “Meu estudo é autônomo. Não faço curso pré-vestibular. A internet tem facilitado muito, vou procurando professores renomados, que busco pelos nomes e que fazem orientação direcionada para os vestibulares. Estou conseguindo estudar”.

O Enem, no entanto, não é a única frente em que ela busca entrar em universidade. Ela contou que já passou na primeira fase do vestibular da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e  aguarda a aplicação das provas da segunda fase, que consiste nas disciplinas de Biologia, Língua Estrangeira e Redação. “Vai ser mais resumida agora”, opinou.

Ivanilda também quer tentar o Enem devido ao acesso a mais opções de universidades. “A abrangência que a prova tem é em relação a mais universidades, mais opções. Eu posso até tentar em outro estado, segundo me informei”, declarou.

O desejo de ingressar na faculdade de psicologia vem de um diagnóstico médico dado em 2013, quando ela descobriu que possui transtorno bipolar. “Comecei meu tratamento no Caps [Centro de Atenção Psicossocial]. Na Rocinha há um excelente, que dá assistência 24 horas. Depois desses tratamentos, eu venho melhorado bastante a minha qualidade de vida em relação à saúde”, observou ela.

A partir daí, ela foi analisando como era feito o trabalho dos psicólogos. “Fui me interessando pela doença. Comecei a ler sobre isso. E me apaixonei por psicologia. Por [Sigmund] Freud, por [Carl Gustav] Young [ambos são autores fundamentais da psicanálise]. A cura através da fala é fascinante”, finalizou.

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