Defesa quer provar inocência do fazendeiro acusado de ajudar Lázaro

Elmi Caetano, que morreu no último domingo, foi acusado de esconder e dar abrigo para criminoso que fugia da polícia no ano passado em GO

atualizado 29/03/2022 17:07

Elmi Caetano Evangelista, acusado de dar guarida a Lázaro BarbosaIgo Estrela/ Metrópoles

Goiânia – Mesmo depois da morte de Elmi Caetano Evangelista, de 74 anos, no último domingo (27/3), a defesa do fazendeiro quer provar a sua inocência. Ele é o idoso que chegou a ser preso pela polícia por supostamente ter ajudado a esconder o criminoso Lázaro Barbosa, em junho do ano passado.

Lázaro é o bandido que fugiu de um grande aparato policial por 20 dias, quando era procurado por ter cometido a chacina de uma família em Ceilândia (DF), entre outros crimes bárbaros. Ele foi morto a tiros durante uma operação policial em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do DF.

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Durante as buscas, policiais prenderam Elmi sob a acusação de ter ajudado Lázaro, dando comida e local para ele dormir, em sua fazenda em Cocalzinho de Goiás. No entanto, Elmi negava que tivesse feito isso.

“Estava tudo certo para comprovar a inocência (de Elmi Caetano). Os laudos não foram confeccionados. Pegaram um Barrabás e crucificaram Jesus. Quero provar a inocência dele para ele ser enterrado com honra”, disse ao Metrópoles o advogado Ilvan Barbosa.

Ele explicou que a Justiça vai pedir a extinção da punibilidade em razão da morte de Elmi. “Mas vamos manifestar no sentido de continuidade para provar sua inocência”, acrescentou o advogado.

Elmi tinha câncer, era diabético e morreu em um hospital da capital federal no último final de semana. A causa da morte não foi informada.

Organização Criminosa

O secretário de segurança pública de Goiás, Rodney Miranda, defendeu, à época da caçada a Lázaro, a tese que havia uma organização criminosa por trás do bandido, que explicaria o êxito dele em fugir da polícia durante tantos dias seguidos.

Mais de oito meses depois, quatro pessoas foram indiciadas e denunciadas pela Justiça por ajudar Lázaro a fugir: duas ex-companheiras dele, a mãe do criminoso e o fazendeiro Elmi Caetano.

Para a defesa, não há provas de que Elmi de fato ajudou Lázaro. O advogado lembra que ele não tinha antecedentes criminais e que armas apreendidas na fazenda dele não funcionavam, conforme laudo comprovou.

O processo criminal contra Elmi estava parado desde novembro do ano passado. Ele respondia em liberdade.

Caseiro

O principal fator contra Elmi Caetano, que levou a polícia até ele, foi o depoimento de um caseiro do produtor rural. O fazendeiro negava a veracidade do depoimento.

Alain Reis de Santana trabalhava com Elmi há menos de um mês quando a região de Cocalzinho de Goiás foi assombrada pela fuga e crimes em série de Lázaro. Alain relatou para os policiais que Elmi proibia a polícia de entrar na fazenda e que certa vez viu Lázaro correndo para um matagal no local.

Depois, ele teria começado a perceber que faltava leite e pão que tinha deixado sobre uma mesa. Uma cama também teria mudado de posição.

O caseiro também disse que um dia Lázaro apareceu na fazenda e o ameaçou de morte. No dia seguinte, Alain teria voltado para a fazenda. Nessa ocasião, ele disse que viu o fazendeiro Elmi tendo uma conversa particular com o filho, que mudou de assunto quando se aproximou.

Gritando por Lázaro

Ainda segundo Alain, Elmi estaria preparando mais almoço que o normal na época das buscas por Lázaro e teria ouvido o fazendeiro gritar pelo nome de Lázaro para almoçar.

O caseiro chegou a ser preso, mas foi solto e considerado inocente, já que teria agido a mando do patrão. Ele tinha antecedentes criminais por roubo de ônibus, pelo qual foi condenado a 6 anos de prisão.

Policiais

Outros fatores considerados pela polícia contra Elmi são depoimentos de policiais. Um escrivão da Polícia Civil disse que ao ser preso, o fazendeiro teria dito que “conhecia e muito bem” a família morta na chacina de Ceilândia. Segundo o escrivão, Elmi falou isso “de forma irônica”.

Ainda segundo esse escrivão, Elmi teria falado que recebeu proposta informal de R$ 5 mil para entregar Lázaro, mas que teria se recusado. Para o escrivão, o fazendeiro falou isso “dando a entender que estava de fato protegendo Lázaro”.

Segundo um depoimento de outro policial, na fazenda de Elmi teria o nome “Jorceley” escrito de tinta, que era um tio de Lázaro. O fazendeiro já disse em entrevista para a Record que de fato empregou um parente de Lázaro há 12 anos, mas negou que ajudasse o criminoso ou que conhecia ele.

Na época, o MP disse que a alegação de envolvimento de Elmi com crimes cometidos por Lázaro “se mostra prematura”, necessitando de mais investigações.

Áudio no celular

A polícia de Goiás divulgou um áudio no Fantástico atribuído ao fazendeiro, em que ele dizia o seguinte, fazendo referência ao Lázaro: “Ele está dormindo lá naquele barraco onde a mãe dele mora”.

O amigo de Elmi que recebeu o áudio, disse, em depoimento para a Polícia Civil, que a mensagem seria apenas uma brincadeira.

Na ocasião, o Ministério Público pediu que fossem enviado os dados sobre o celular de Elmi Caetano, “dada a relevância exigida do caso”, o que ainda não consta no processo criminal. Também foi pedido que o filho de Elmi fosse investigado.

O Metrópoles questionou a Polícia Civil e a Secretaria de Segurança Pública sobre a continuidade das investigações e falta de laudos no processo criminal contra Elmi, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

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