Corrupção aumentará no Brasil, acredita 67% da população

Pesquisa do Datafolha apontou a maior porcentagem desde que Bolsonaro assumiu o governo

atualizado 22/03/2021 11:48

A porcentagem de brasileiros que acredita que haverá mais corrupção no Brasil aumentou 12 pontos, desde dezembro. Agora, o número chega a 67%, em pesquisa feita pelo Datafolha e divulgada pela Folha de S. Paulo. O índice é o maior desde que Bolsonaro assumiu o governo.

As entrevistas foram realizadas nos dias 15 e 16 de março, por telefone, com 2.023 pessoas. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Em dezembro, a porcentagem de brasileiros com expectativa de que a corrupção fosse aumentar era de 55%. O índice já havia sofrido um grande aumento, já que permanecia estável em 40%, desde o início do governo.

Já a porcentagem de pessoas que acreditavam que a corrupção fosse diminuir passou de 35%, no primeiros meses de Bolsonaro no cargo, para 8%, agora.

A expectativa é pior entre mulheres (74%) e pobres (73%), e menos pior entre os mais ricos (51%). Mas o consenso geral não é positivo, já que, mesmo entre o grupo que considera Bolsonaro um presidente bom ou ótimo, somente 17% acreditam em uma diminuição na corrupção.

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O combate à corrupção era uma das principais propostas da campanha de Jair Bolsonaro, mas as ações parecem ter frustrado os eleitores. A associação do presidente ao chamado “Centrão”, principalmente na eleição de Arthur Lira (PP-AL), foi um dos pontos centrais nessa perda de apoio.

Além disso, investigações que envolvem o clã Bolsonaro têm tido uma influência negativa na imagem do presidente, como o inquérito das “rachadinhas”, que envolve Flávio Bolsonaro.

Outra questão importante foi o afastamento de Sergio Moro do governo, que deixou o cargo de ministro da Justiça em abril de 2020, alegando interferência ilegal do presidente na Polícia Federal.

Moro era um dos principais nomes quando o tema era combate a corrupção no Brasil, pois encabeçou as investigações da Lava Jato.

A anulação das acusações contra o ex-presidente Lula, no último dia 9, também pode ter pesado nessa avaliação. O ex-presidente é o principal adversário político de Bolsonaro, e já ameaçou uma possível candidatura em 2022.

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