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A reunião de cúpula do G-20 terminou na tarde deste sábado (1º/12), em Buenos Aires, capital argentina, com participação discreta do Brasil. Sem a presença do presidente do Brasil eleito, Jair Bolsonaro (PSL), que foi convidado pelo atual chefe do Executivo nacional, Michel Temer (MDB), para ir ao encontro, a delegação brasileira teve poucos compromissos fora da agenda oficial.

Foram apenas duas reuniões bilaterais, com Cingapura e Austrália, contra 14 do presidente da Argentina, Mauricio Macri. Temer deixou o encontro do G-20 antes mesmo da sessão de encerramento.

Segundo o presidente da República, ele convidou Bolsonaro há cerca de 25 dias para o encontro, mas, por questões de saúde, o presidente eleito não conseguiu participar. Bolsonaro também não mandou representantes. Mas, durante os dias da reunião, ganharam os holofotes mais questões relacionadas ao próximo governo, como o acordo climático de Paris, do que questões da atual administração.

Acordo de Paris
O presidente francês, Emmanuel Macron, levou Bolsonaro para os holofotes do G-20 ao mencionar que a União Europeia não negocia com países que pretendem deixar o Acordo de Paris. O brasileiro já declarou publicamente o desejo de sair, mas Temer tentou minimizar essa possibilidade. O emedebista ressaltou que uma coisa é o discutido agora, outra é quando Bolsonaro tomar posse.

Por isso, para Michel Temer, esse ponto será equacionado. De fato, no documento final da reunião, os signatários do acordo, fechado em dezembro de 2015, se comprometeram com sua “plena implementação” – o que inclui o Brasil.

Durante o G-20, o presidente da República procurou enfatizar repetidas vezes o apoio do Brasil ao multilateralismo no comércio internacional e à Organização Mundial do Comércio (OMC). “O Brasil defende o inequívoco apoio ao sistema multilateral de comércio”, declarou durante discurso na plenária do G-20. “Nossa mensagem foi para a abertura integral e ao não isolacionismo”, afirmou Temer a jornalistas.

Ainda na comitiva brasileira, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, representou o país na reunião ministerial e também defendeu o multilateralismo. Ele também teve agenda enxuta e acompanhou o presidente em seus compromissos oficiais.

O secretário de relações internacionais do Ministério da Fazenda, Marcello Estevão, que chegou a Buenos Aires no último domingo (25/11) para participar das reuniões preparatórias, disse que mesmo antes do início da cúpula de líderes, já havia dificuldade em achar um consenso sobre a maneira de tratar as tensões comerciais no texto. No comunicado final divulgado neste sábado (1º), a palavra “tensão” sequer foi citada, com os líderes preferindo falar de “questões” comerciais, defendendo a reforma da OMC.

A participação de Temer na reunião de cúpula do G-20 em 2017, em Hamburgo, na Alemanha, já havia sido tímida. Em meio às repercussões negativas do escândalo da delação da JBS, ele chegou a cancelar sua participação no evento, mas resolveu ir de última hora. Temer não teve reuniões bilaterais e ainda voltou ao Brasil antes do final da reunião. A mesma decisão se repetiu neste sábado.