*
 

Deputados federais que integram a comissão externa criada para acompanhar as investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes estiveram reunidos, na tarde desta quarta-feira (11/4), com o ministro dos Direitos Humanos, Gustavo do Vale Rocha. Participaram os parlamentares cariocas Benedita da Silva (PT), Jandira Feghali (PCdoB), Glauber Braga (PSol) e Jean Wyllys (PSol).

Segundo o ministro, além de discutirem o andamento das investigações, eles trataram principalmente da situação de políticas públicas voltadas à proteção de ativistas, com destaque para o Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH).

O programa tem como objetivo a adoção e articulação de medidas que possibilitem garantir a proteção de pessoas que estejam em situação de risco ou ameaça em decorrência de sua atuação na promoção ou defesa dos direitos humanos. Apesar da existência da iniciativa, o Brasil lidera nas Américas a contagem de ativistas da área assassinados.

O ministro afirmou que a reestruturação dessa política é uma de suas prioridades e disse ter conseguido duplicar os recursos destinados ao PPDDH. Agora, o programa conta com R$ 9 milhões. De acordo com ele, estão sendo pleiteados mais R$ 3 milhões para “implementar e aprimorar cada vez mais esse programa”.

Essa é uma pauta prioritária do ministério, porque nós temos que proteger os ativistas, os defensores de direitos humanos e a população mais vulnerável em geral"
Gustavo do Vale Rocha, ministro dos Direitos Humanos

Investigações
Quanto às investigações, o ministro explicou que não há como entrar em detalhes, porque elas correm em segredo de justiça, mas, conforme adiantou, segundo os órgãos competentes têm afirmado, elas estão “avançadas”. A poucos dias de completar um mês do duplo homicídio, ninguém foi apontado até agora como mandante ou executor do crime.

“Nosso papel de cobrar, de exigir transparência, esse papel fiscalizador a gente está cobrando. Não vamos vai deixar que esse crime caia no esquecimento”, afirmou o deputado Jean Wyllys. “A gente quer respostas. As autoridades darão respostas para esse crime, porque não há nenhum crime que não possa ser solucionado, a não ser quando há interesse do próprio Estado em acobertá-lo”, acrescentou o parlamentar.

Nos últimos dias, a comissão da Câmara se reuniu com: o interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro, general Walter Souza Braga Netto; o secretário de Segurança carioca, general Richard Fernandez Nunes; e o delegado responsável pelas investigações, Giniton Lages.

Os deputados também acompanham a situação da vereadora do PSol de Niterói (RJ), Talíria Petrone, cuja atuação é semelhante à de Marielle na defesa dos direitos humanos. Em decorrência disso, ela tem sofrido ameaças. Os parlamentares estão em contato, ainda, com testemunhas e a assessora de Marielle sobrevivente ao ataque que matou a vereadora e o motorista Anderson Gomes.