Bolsonaro diz que não vê “problema nenhum” em se vacinar contra Covid

Neste sábado, DF começou vacinação de pessoas a partir de 66 anos. Presidente voltou a falar que já está imunizado contra a doença

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, neste sábado (3/4), durante conversa com a imprensa, no Palácio da Alvorada, que não vê “problema nenhum” em se vacinar contra a Covid-19.

Após passeio de moto por Brasília, o chefe do Executivo defendeu, no entanto, que o imunizante deve ser dado para alguém que “ainda não contraiu o vírus”.

No ano passado, em diversas ocasiões, Bolsonaro afirmou que não tomaria a vacina porque já estava imunizado por ter sido infectado em julho. Especialistas afirmam, entretanto, que a imunização é imprescindível para quem já contraiu a doença, pelo risco de reinfecção e disseminação do vírus.

“Olha, o que eu devo fazer, eu entendo dessa maneira: eu já estou imunizado com o vírus, né? E se acharem que eu devo me vacinar, eu me vacino. Não tem problema nenhum”, disse.

Em seguida, acrescentou: “Mas eu acho que essa vacina minha tem que ser dada pra alguém que ainda não contraiu o vírus e corre o risco muito, mas muito maior do que o meu”.

Neste sábado, o governo do Distrito Federal começou a vacinação de pessoas a partir de 66 anos – idade de Bolsonaro. “Da minha parte não tem problema nenhum buscar um posto de saúde, já que entrou aí a minha faixa etária e se vacinar”, declarou o presidente, sem entrar em detalhes de quando poderá receber a primeira dose.

Havia expectativa para que o presidente se vacinasse neste sábado, com uma dose da Covishield, desenvolvida pela universidade inglesa de Oxford, com a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca.

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Jair Bolsonaro em passeio de moto
Jair Bolsonaro em passeio de moto
Jair Bolsonaro em passeio de moto
Jair Bolsonaro em passeio de moto
Jair Bolsonaro em passeio de moto
Declarações contra a vacina

Em dezembro passado, Bolsonaro argumentou que quem viesse a ser imunizado com a vacina da Pfizer poderia virar “jacaré”, se referindo a uma condição contratual que a empresa dos Estados Unidos estabelece para não se responsabilizar por eventuais efeitos colaterais após aplicação do imunizante. A prática é comum nas vacinações tradicionais.

Agora, o presidente tem defendido a “política da vacinação em massa”. O tom do chefe do Executivo segue crítico – com ataques a governadores que adotam medidas mais restritivas e em defesa de medicamentos sem eficácia contra a Covid-19, por exemplo –, mas está mais ameno quando o assunto é imunização.

A mudança foi sugerida por auxiliares após o bunker digital do Planalto ter identificado uma queda no engajamento de apoiadores nas redes diante da postura contra a vacina, além de uma diminuição da popularidade do presidente.

Ministros tomaram CoronaVac

Até o momento, dois ministros do primeiro escalão de Bolsonaro se vacinaram contra a Covid-19. São eles: Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Paulo Guedes (Economia) – os dois também receberam a primeira dose da CoronaVac.

Além deles, o vice-presidente Hamilton Mourão se vacinou na última segunda-feira (29/3). Na ocasião, também foi imunizado com a vacina chinesa.

A CoronaVac é desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, ligado ao governo de São Paulo, chefiado por João Doria (PSDB).

Antes mesmo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial do imunizante no Brasil, em janeiro deste ano, Bolsonaro questionou a eficácia da CoronaVac em diversas ocasiões, por se tratar de uma vacina chinesa.

Em outubro do ano passado, após o Ministério da Saúde anunciar um acordo com o Butantan para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, o presidente suspendeu a aquisição, afirmando que o governo não compraria vacina da China.

Na mesma ocasião, Bolsonaro se referiu à CoronaVac como “a vacina chinesa de João Doria” e disse que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”.