Governo do RS reforça policiamento nas escolas após ataque a alunos

Após assassinato de aluno, de 9 anos, cidade de Estação vive luto, medo e perplexidade. Brigada Militar reforça policiamento

atualizado

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Os moradores de Estação, no norte do Rio Grande do Sul, estão em choque e tentam se recuperar do ataque promovido por um adolescente, de 16 anos, na Escola Maria Nascimento Giacomazzi, contra estudantes do 3º ano do ensino fundamental. No total, quatro pessoas foram esfaqueadas. Duas delas seguem internadas e uma morreu: Vitor André Kungel Gambirazi, de 9 anos.

Com pouco mais de 6 mil habitantes, o município declarou três dias de luto. “O clima está superpesado. É uma cidade que praticamente não tem ocorrência. Dorme-se com portas abertas. Um crime contra crianças desestrutura qualquer comunidade”, afirmou o coronel Carlos Aguiar, comandante regional de Policiamento Ostensivo da Região Norte (CRPO Norte) ao Metrópoles.

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O suspeito, identificado como ex-aluno, invadiu a Escola Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação (RS)
Vitor André Kungel Gambirazi, vítima de adolescente que invadiu escola no Rio Grande do Sul
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Vitor André Kungel Gambirazi, vítima de adolescente que invadiu escola no Rio Grande do Sul

Funerária Gruber/ Divulgação
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O suspeito, identificado como ex-aluno, invadiu a Escola Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação (RS)
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O suspeito, identificado como ex-aluno, invadiu a Escola Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação (RS)

Reprodução/ Google Maps

Para Aguiar, o sentimento de segurança em cidades pequenas é diferente, o que acaba potencializando o impacto da tragédia. “Esse menino entrou com facilidade na escola, dizendo que queria ir ao banheiro. Mesmo com guardas, talvez ele teria conseguido entrar do mesmo jeito. Isso nos faz repensar os protocolos”, destacou o  coronel Aguiar.

De acordo com o prefeito, Geverson Zimmermann, o adolescente entrou pela porta da frente da escola, sob pretexto de entregar um currículo e, antes de iniciar o ataque, pediu para usar o banheiro.


O que aconteceu

  • Um adolescente, de 16 anos, de acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, invadiu a Escola Maria Nascimento Giacomazzi, que tem cerca de 150 alunos, e atacou ao menos três crianças e uma professora com facadas.
  • Vitor André Kungel Gambirazi, de 9 anos, morreu após ser esfaqueado no tórax.
  • De acordo com Geverson Zimmermann, prefeito de Estação (RS), o adolescente entrou pela porta da frente da instituição sob pretexto de entregar um currículo.
  • Ele usou bombinhas para assustar as crianças e os professores e, assim, possibilitar o ataque.
  • O ataque foi realizado nessa terça contra estudantes do 3º ano do ensino fundamental. Os alunos têm entre 7 e 8 anos.
  • O jovem foi imobilizado pela população e apreendido pela polícia.

A tragédia em Estação levou o governo do Rio Grande do Sul a ampliar a presença policial em colégios de todo o estado. “Estamos invadindo as escolas, no bom sentido. Fechamos parte do expediente administrativo para estarmos mais próximos de professores, alunos, gestores”, contou. A ideia, segundo ele, é oferecer acolhimento e transmitir uma sensação maior de segurança à população.

Na noite dessa terça, em decisão da juíza Daniela Conceição Zorzi, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS) determinou a internação provisória do adolescente por 45 dias, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O jovem estava em tratamento psicológico antes de cometer o crime.

Pais “perplexos”

Ainda de acordo com o coronel, a Polícia Civil, com apoio da Brigada Militar, esteve na casa do adolescente suspeito para recolher materiais para a investigação. Os pais do jovem estavam presentes e foram ouvidos.

“Foi um baque para eles também. Estavam perplexos e ajudando no que fosse possível”, afirmou o policial. Para ele, a família parece ser bem estruturada, e não tem histórico de violência, brigas e sem agressões. “Uma família normal”, contou.

Sem citar diretamente o caso, o coronel ponderou que é preciso repensar a relação dos jovens com os aparelhos eletrônicos. “A gente nota que, nessa geração, muitas vezes, o quarto deles é uma embaixada de outro país. Você não pode entrar, você não sabe muitas vezes o que está dentro do celular. Então, a gente começa a pensar de onde é que está saindo [a motivação] para um ataque desses. A gente não tem noção mais.”

Vítimas do ataque

Uma das alunas feridas durante o ataque à Escola Maria Nascimento Giacomazzi passou por uma neurocirurgia após sofrer um trauma cefálico — uma lesão física no tecido cerebral. A menina, de 8 anos, permanece em estado estável, mas “inspira cuidados”, informou o Hospital Santa Terezinha, em Erechim, onde a criança está internada.

A outra criança ferida, que estava no Hospital São Roque, de Getúlio Vargas, teve alta na tarde dessa terça. A professora, de acordo com a última atualização divulgada pelo Hospital de Caridade, em Erechim, está internada sob observação.

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