As preocupações do Planalto que ligam alerta em Lula para a reeleição
Apesar de base consolidada, Lula tem dificuldade de ampliar apoio eleitoral em cenário de peso da economia sobre o voto
atualizado
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Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou preocupação com questões econômicas que afetam a população e têm impactado o resultado de pesquisas de avaliação do governo. O petista encomendou ao Ministério da Fazenda, um estudo de medidas para reduzir o nível de endividamento das famílias.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o nível de endividamento das famílias alcançou o maior nível da série histórica, chegando a 80,2%.
O nível recorde está acompanhado do aumento na inadimplência. O índice voltou a crescer após três meses de retração, atingindo 29,6% dos entrevistados. A taxa é a maior desde novembro do ano passado (30%).
Em evento nessa quinta-feira (26/3), o chefe do Planalto atribuiu o problema a pequenas compras feitas via cartão de crédito e Pix em plataformas digitais, e disse que pediu ao novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que estude soluções.
“Nós estamos tentando encontrar uma saída para ver se a gente diminui, sabe, a angústia da sociedade. Para ver se a gente consegue melhorar essencialmente. Para ver se a gente consegue fazer com que as pessoas se sintam aliviadas. Não é uma tarefa fácil”, afirmou o presidente.
Lula avaliou que, diante dos problemas econômicos, a população tende a culpar o governo. A percepção foi captada em pesquisas de opinião divulgadas recentemente. De acordo com a Genial/Quaest de março, a visão de que a economia piorou cresceu e chegou a 48% — maior patamar desde setembro do ano passado, quando foi registrado o mesmo percentual.
Apesar de contar com uma base consolidada, o petista enfrenta dificuldades para ampliar apoio eleitoral fora da “bolha” em um contexto no qual a situação econômica do país pesa diretamente sobre o voto.
Desaprovação entre jovens
- A mais recente pesquisa AtlasIntel, divulgada na quarta-feira (26/3), mostra que a desaprovação do governo Lula entre eleitores de 16 a 24 anos subiu 14,1 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Com isso, a desaprovação chegou a 72% nessa faixa etária.
- O cenário representa mais um sinal de alerta para a pretensão de reeleição de Lula. Enquanto a maior desaprovação se concentra entre os jovens, a aprovação é mais elevada entre pessoas de 45 a 59 anos, chegando a 58,8%.
- A AtlasIntel também questionou qual cenário preocupa mais: a reeleição de Lula, a eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) ou ambos. Entre jovens de 16 a 24 anos, 48,3% disseram se preocupar mais com a possível reeleição do petista, 25,6% com a eleição de Flávio e 22,2% com ambos.
- De olho nesse segmento, a Secretaria-Geral da Presidência, comandada pelo ministro Guilherme Boulos, lançou o Observatório Nacional das Juventudes, plataforma que reúne dados estratégicos sobre brasileiros de 15 a 29 anos, grupo que representa 22,5% da população.
- De acordo com a pasta, o projeto busca superar o histórico “apagão de dados” que fragmenta políticas públicas para essa faixa etária, oferecendo uma base mais sólida ao governo. Na prática, a plataforma centraliza informações antes dispersas entre diferentes ministérios, permitindo maior controle social e acompanhamento da eficácia das políticas.
Taxa de juros
Outro ponto que preocupa o petista é a política monetária restritiva do Banco Central (BC), responsável por determinar a taxa básica de juros no país, atualmente em 14,75% ao ano.
Na última reunião do Comitê de Politica Monetária (Copom), na semana passada, a autoridade decidiu reduzir a Selic em 0,25 p.p após quase dois anos sem cortes.
A redução não foi suficiente para agradar o governo, que esperava um corte maior. A avaliação é que os juros altos têm pressionado o consumo e contribuído para uma piora na percepção da economia.
Auxiliares do presidente afirmam que o diagnóstico é de que, embora indicadores macroeconômicos apresentem sinais positivos em algumas frentes, isso ainda não tem se traduzido em melhora concreta na vida das famílias, o que amplia o risco de desgaste político em ano eleitoral.













