Artista russo fica nu em protesto contra pedras em viadutos de SP

O ação foi feita após a prefeitura ter colocado pedras sob viadutos e pontes que impedem que moradores de rua se abriguem do frio e da chuva

atualizado 15/02/2021 22:27

Divulgação

Uma performance chamou atenção de quem passava na esquina das ruas Augusta e Oscar Freire, nos Jardins, em São Paulo, durante a tarde desta segunda-feira (15/2). O motivo: um artista plástico russo Fyodor Pavlov-Andreevich, de 42 anos, fez uma performance totalmente nu no local. O objetivo era fazer uma crítica à chamada “arquitetura hostil” que impede moradores de rua de ocuparem espaços públicos na cidade São Paulo.

A jornalista Renata Perobelli Borba compartilhou o ato nas redes sociais.

Veja:

A performance do russo teve como motivação um protesto iniciado pelo padre Julio Lancellotti, da Pastoral do Povo de Rua, no último dia 2. O religioso divulgou em suas redes sociais imagens dele mesmo retirando parte das pedras que foram cimentadas no passeio do viaduto Dom Luciano Mendes de Almeida, na avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé (zona leste de São Paulo), pela prefeitura.

A pastoral considera a obra “higienista, visando expulsar pessoas em situação de rua de um local em que as pessoas podem dormir sem tomar chuva na região”.

O padre Júlio, inclusive, esteve presente nesta segunda-feira (15/2) na performance a convite do artista russo.

“Ele é russo e esteve visitando a minha paróquia e participou de ações comigo e com os moradores de rua. Me contou que queria fazer essa ação contra a arquitetura hostil da Prefeitura com essas pessoas e que eu fosse lá apoiar”, contou o padre ao G1.

“Acho sempre importante qualquer tipo de ato que chame a atenção para o que ocorre na cidade, para transformar a cidade mais humana”, acrescentou o padre Júlio.

A PM

Nesta segunda-feira, cerca de 10 policiais estiveram no local e conversaram com o artista, que colocou uma bermuda preta para conversar com os agentes. Após os PMs deixarem a área, a performance continuou.

Em nota, a PM informou que “os policiais militares foram ao local e orientarem pacificamente o homem a se recompor. Ele atendeu a solicitação dos policiais e se recompôs”.

O que diz a prefeitura

Em nota, a prefeitura de São Paulo disse que “a implantação de pedras sob viadutos foi uma decisão isolada, não faz parte da política de zeladoria da gestão municipal, tanto é que foi imediatamente determinada a remoção. A Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB) instaurou uma sindicância para apurar os fatos, inclusive o valor, e um funcionário já foi exonerado do cargo”.

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