Após especial do Metrópoles, relatório da CPI da Varig é apresentado
Comissão da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) acompanha o caso desde 2010: empresa demitiu 9 mil trabalhadores e não pagou direitos
atualizado
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O pré-relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Varig será apresentado na manhã desta terça-feira (7/8), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A investigação, conduzida pelo parlamento carioca há quase oito anos, visa apontar falhas na gestão da massa falida da companhia aérea. Desde quando a ex-gigante dos ares encerrou as atividades, em 2006, o processo de repasse de indenizações trabalhistas e previdenciárias é questionado por ex-empregados.
Os detalhes da CPI virão a público um dia após o Metrópoles mostrar, na reportagem especial Calvário Linhas Aéreas, o drama de milhares de ex-funcionários da Varig, da Vasp e da Transbrasil demitidos subitamente e sem receberem centavo algum de seus direitos.
Segundo explica o presidente da CPI da Varig, deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ), o pré-relatório a ser apresentado nesta terça vai permitir apontar a participação de cada um dos envolvidos na administração dos recursos disponíveis em uma conta judicial e que deveriam ser usados para honrar os débitos com os ex-trabalhadores do grupo.
O dinheiro depositado é referente a bens vendidos da empresa, como propriedades rurais, imóveis e aeronaves. Os ex-funcionários reclamam da demora nos repasses dos recursos e acusam o juiz Alexandre Carvalho de Mesquita, da 1ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), e o administrador judicial da massa falida da Varig, o advogado Wagner Bragança, de tomarem decisões que postergam injustificadamente a liberação dos valores nas contas de quem aguarda para receber os passivos.
Sem revelar se o magistrado e o defensor integram a lista de citados no pré-relatório da CPI, Paulo Ramos diz que, agora, será possível individualizar as irregularidades cometidas ao longo do processo.
Houve uma verdadeira organização criminosa para ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, levar os trabalhadores a uma situação de sofrimento. Agora, a CPI tem argumentos para apontar os crimes que foram cometidos, individualizando a participação de cada um
Presidente da CPI da Varig, deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ)
O juiz Alexandre Carvalho informou não conceder entrevista sobre processos em andamento. A reportagem deixou recados no escritório de advocacia de Wagner Bragança, mas não recebeu retorno.
Calote
Essa é a segunda comissão parlamentar instaurada na Alerj para acompanhar a situação da Varig. Em 2007, uma CPI investigou as circunstâncias da falência da companhia, que acumulou R$ 10 bilhões em débitos, dos quais R$ 2 bilhões com seus ex-empregados.
Os demitidos da empresa, contudo, não são os únicos a lutarem por seus direitos. Segundo levantamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), em São Paulo, há 7.191 processos trabalhistas em tramitação contra as três antigas gigantes da aviação civil brasileira. A Vasp é acionada em 4.315 deles; a Varig, em 2.050; e a Transbrasil, em 826.
Juntas, as três devem mais de R$ 3 bilhões, em valores atualizados, somente aos ex-funcionários dispensados. Se forem considerados débitos com fornecedores, fundos de pensão e impostos não pagos ao governo, o montante beira os R$ 20 bilhões.
Penúria
Na matéria especial, o Metrópoles narra histórias de ex-empregados das três companhias que passaram a viver de bicos ou subempregos para terem alguma renda. É o caso do ex-comissário da Varig João Ricardo Motta, 53 anos, que hoje vende churrasquinho na esquina de casa, no subúrbio do Rio de Janeiro, para conseguir pagar as contas. Já o ex-colaborador da Vasp Bruno Capocannoli, 61, migrou para o campo da gastronomia e atualmente comercializa docinhos italianos caseiros.
Assista ao documentário produzido para a reportagem:
O calote geral também contribuiu para enredos trágicos: o ex-comissário de bordo Ricardo de Camargo, 50, virou mendigo nas ruas de São Paulo; sem conseguir mais lidar com a pressão, seu colega Guilherme Gottel tirou a própria vida no último dia 25 de julho.
Confira imagens do especial:
Para quem perdeu tudo do dia para a noite, a notícia de que o pré-relatório da segunda CPI da Varig na Alerj será apresentado representa uma fagulha de esperança. Os “Variguianos” – como se autodenomina um grupo de ex-empregados da empresa – prometem ir para a porta do parlamento carioca, a fim de pressionar os deputados estaduais a tomarem uma providência que lhes garanta as indenizações devidas.
Centro Empresarial Varig, no DF, vai a leilão
Na última quarta-feira (1º/8), a 1ª Vara Empresarial do TJRJ anunciou que realizará um leilão de imóveis da antiga companhia em 13 de setembro, às 14h. Entre os bens a serem colocados à venda, estão unidades do Centro Empresarial Varig, situado no Setor Comercial Norte de Brasília, e apartamentos no Centro Histórico de Ilhéus, na Bahia.
Se todas as propriedades forem arrematadas, é possível que mais R$ 6 milhões sejam depositados na conta judicial para ajudar a abater a bilionária dívida da empresa com os ex-funcionários.















