Auditores resgatam 87 trabalhadores em situação análoga à escravidão

Grupo, com participação de 13 menores e idosos, laboravam em casas de farinha cumprindo jornada excessiva e sem proteção trabalhista

atualizado 04/05/2018 13:39

Adultos, idosos e 13 menores, entre 11 e 17 anos, foram encontrados nessa quarta-feira (2/5) pelo Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo em situação de trabalho degradante, atuando em atividade de produção da farinha de mandioca em Alagoas. Eram 87 pessoas no total. Este é o maior resgate de trabalhadores desde 2012.

As cargas horárias de trabalho chegavam a 20 horas. O empregador também não fornecia água potável, deixando muitos funcionários desidratados água por horas. O único banheiro disponível para as duas casas estava interditado, obrigando o grupo a fazer necessidades no mato próximo. 

O trabalho acontecia em duas casas de farinha do Sírio Massapê, no agreste alagoano, em Feira Grande. Os locais foram interditados pela fiscalização.

Nas duas casas foram encontradas condições insalubres de trabalho, uso de menores e idosos, a grande maioria sem carteira assinada. Os 13 menores resgatados faziam o mesmo trabalho de adultos, utilizando facas e outros instrumentos para raspar a casca da mandioca.

Além disso, as máquinas utilizadas para a produção apresentavam riscos graves e iminentes aos operadores e aos demais trabalhadores, sem contar o calor excessivo e o pó característico da moagem e secagem da farinha aos quais os operários eram expostos.

Dentro da condição encontrada, o coordenador da ação, auditor-fiscal do Trabalho, André Wagner, optou por cessar a atividade e resgatar todos os trabalhadores.

A ação contou com participação da Polícia Rodoviária Federal, do Ministério Público do Trabalho e da Defensoria Pública da União, mas ainda não foi concluída. O Grupo Móvel busca um acordo com o trabalhador para o pagamento dos direitos trabalhistas de todos os resgatados.

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