Vida longa a Bolsonaro (para que ele pague a pena)
A internação é real, mas o uso dela como passaporte para a liberdade é um filme antigo que o Brasil não pode mais aceitar.
atualizado
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Há uma diferença abismal entre desejar o fim de um adversário e desejar que as instituições funcionem. O desejo de quem preza pelo Estado de Direito deve ser um só: vida longa a Jair Bolsonaro.
Vida longa e saúde plena para que ele possa cumprir, até o último dia, os 27 anos e 3 meses de reclusão a que foi condenado por tentar implodir a democracia.
A atual internação no DF Star, com diagnóstico de broncopneumonia, segue o já conhecido roteiro de aproveitar o episódio para vitimização – sim, ele está com questões mais sérias de saúde, mas não, isso não impede o show político.
Seus filhos, Michelle e os devotos mais ardorosos tentam vender a imagem de um “moribundo” abandonado na Papudinha. Mentira.
Os fatos mostram: foram 144 atendimentos médicos em pouco mais de um mês. Bolsonaro tem UTI móvel e batedores à disposição — um luxo que nenhum outro preso no Brasil sonha em ter. No fundo, ele está mais seguro sob a guarda do Estado do que em sua própria casa. Onde estava sozinho, inclusive, quando tentou queimar a tornozeleira. Situação que fez com que ele perdesse o benefício da domiciliar.
Bolsonaro, digamos a verdade, sempre soube usar crises – reais ou fabricadas – para dobrar o sistema e fugir das responsabilidades. O roteiro é o mesmo.
A tentativa da defesa de cavar uma prisão domiciliar esbarra na total falta de confiança que o réu inspira. Para quem já provou mais de uma vez que está pronto para “picar a mula”, a domiciliar não seria o lar, mas a pista de decolagem.
O Brasil não pode se dar ao luxo do esquecimento. Bolsonaro precisa de saúde para enfrentar o rigor da lei e pagar pelo mal que tentou causar ao país – com consequências que enfrentaremos por muitos e muitos anos.


