Viva o povo brasileiro! Cem milhões de vacinados contra a Covid

Tudo isso apesar de um presidente que não dá valor à vida alheia

atualizado 14/10/2021 9:16

Gustavo Moreno / Especial para o Metrópoles

Poderia estar melhor? Sim, poderia. Imagine se tivéssemos um presidente da República de fato interessado em salvar vidas e reduzir o número de infectados pela Covid-19 e suas variantes?

Mas não: no dia em que o Brasil, com atraso, celebrou 100 milhões de pessoas vacinadas, Jair Bolsonaro disse que não se vacinará jamais porque seus anticorpos estão altos:

“Estou vendo novos estudos, a minha imunização está lá em cima, para que vou tomar vacina? Seria a mesma coisa que você jogar R$ 10 na loteria para ganhar R$ 2. Não tem cabimento isso”.

Antes, ele dizia que seria o último brasileiro a vacinar-se. Seus devotos viam nisso uma prova de grandeza, de disposição de sacrificar a própria saúde para beneficiar o próximo.

De outra parte, desafetos achavam que não passava de pura ignorância, afinal Bolsonaro nada estudou na vida. Destacou-se no Exército como atleta, corredor de curtas distâncias. O Cavalão!

Os devotos estavam errados, assim como tais desafetos. Na verdade, Bolsonaro comprou vacinas só porque se viu forçado, mas não abriu mão de conceder passe livre à circulação do vírus.

No Mato Grosso do Sul, mais de 81% da população com 18 anos de idade foi vacinada. Em São Paulo, 78,5%. Há estados em que não chegam à metade disso, como Roraima e Amapá (38%).

Segundo pesquisa Datafolha de julho último, 94% dos brasileiros ou haviam se vacinado ou pretendiam se vacinar. Foi um duro golpe para Bolsonaro, mas nem assim ele mudou de posição.

Quem já chamou a pandemia de gripezinha, em dezembro garantiu que ela estava no finalzinho e boicotou as medidas de isolamento social não poderia mais recuar, sob pena de desmoralizar-se.

Quantas vezes ele não acusou governadores e prefeitos pelos danos que o vírus causou à economia? Uma vez admitiu: se a economia fosse gravemente prejudicada, seu governo iria para o brejo.

Não foi para o brejo por causa disso. Foi porque não quis enfrentar a Covid como fizeram governos de muitos outros países, e como estava nos manuais. Deixou morrer quem tivesse de morrer.

Esse será o maior e mais trágico legado do presidente Jair Messias Bolsonaro da Morte para seu sucessor.

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