Vice-governador do Mato Grosso espanca a mulher durante as férias

Empresário milionário, Otaviano Pivetta paga fiança para não ser preso e tenta abafar o caso, que acaba explodindo nas redes sociais

atualizado 03/08/2021 9:04

Otaviano Pivetta e Viviane Cristina Kawamoto Reprodução

Do céu para o inferno.

Em 2014, a revista Forbes publicou a lista dos cinco políticos mais ricos do país – e o gaúcho Otaviano Pivetta, então prefeito de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, era o quarto, à frente de Paulo Maluf, ex-governador de São Paulo. Seu patrimônio líquido: 100 milhões de dólares. Origem de sua fortuna: o agronegócio.

No último dia 7, Pivetta, 62 anos de idade, vice-governador do Mato Grosso, atualmente sem partido, pai de seis filhos e avô de quatro netos, foi denunciado pela mulher, a advogada Viviane Cristina Kawamoto, com quem é casado desde 2019, de tê-la espancado na casa que tem em Itapema, litoral de Santa Catarina.

Divulgado ontem, um laudo de corpo de delito feito pelo Corpo de Bombeiros de Itapema comprovou a agressão sofrida por Viviane. Pivetta foi indiciado por crime de lesão corporal leve e responderá à ação no Fórum Criminal do município catarinense. A Justiça já abriu prazo para que o Ministério Público se manifeste.

O laudo apontou escoriações e hematomas na testa, nos braços e nas coxas de Viviane, que, depois da surra, acionou a polícia duas vezes. Na primeira, tão logo foi atendida, desligou o telefone sem nada falar. Na segunda, informou que fora agredida pelo marido. Policiais foram buscar o casal e o levaram para uma delegacia.

Pivetta negou que tivesse batido na mulher. Afirmou que ela se feriu ao morder uma de suas mãos. A todo o momento dizia aos policiais que era vice-governador do Mato Grosso e que não poderia ser preso. Uma vez detido, pagou uma fiança de R$ 6,6 mil e foi embora da delegacia na madrugada do dia seguinte.

A partir daí, usou o peso político do seu cargo e valeu-se de sua fortuna para impedir que o caso repercutisse no Mato Grosso. Contou para isso com a ajuda do governador Mauro Mendes (DEM), candidato à reeleição no próximo ano, que pretende mantê-lo como vice em sua chapa; e também de outros políticos.

Há uma semana, Pivetta soltou uma nota em que disse:

“O vice-governador Otaviano Pivetta e sua esposa Viviane Kawamoto Pivetta informam que o desentendimento em Itapema, Santa Catarina, no dia 7 de julho, se tratou de uma discussão de casal e o boletim de ocorrência registrado não condiz com o que realmente ocorreu. Otaviano e Viviane têm o mesmo defensor, que já está atuando para arquivar o caso. Por ser uma questão pessoal, o casal informa que o caso diz respeito apenas ao âmbito familiar”.

Há dois dias, Viviane postou um vídeo nas redes sociais negando que tenha apanhado do marido:

“Nós tivemos uma discussão de casal. Não foi uma agressão, nunca houve agressão. Meu marido nunca foi um agressor. Nós tivemos essa discussão, e por terceiras pessoas envolvidas no momento tomou essa proporção toda”.

Ontem, a primeira-dama do Mato Grosso, Virgínia Mendes, postou uma foto sua no Instagram segurando um cartaz onde está escrito: “Você não está sozinha”. O post foi apagado horas depois, mas reapareceu por volta das 21h.

Virgínia com o cartaz
Virgínia com o cartaz em apoio

Foi quando o caso, que parecia quase abafado, esquentou outra vez. No Instagram, Viviane escreveu desmentindo o que ela mesma dissera no vídeo:

Vocês assistiram ao vídeo? Perguntem à Secretária de Comunicação do Estado do Mato Grosso, Sra. Laice, [que] me pressionou para gravar um vídeo mentiroso. Aliás, ela mede as pessoas pela régua dela corruptível. Se você tem preço, eu tenho Valor, e ninguém me compra! Suja, rasteira, e viu e todo mundo precisa saber”.

Post de desmentido de Viviane
Post de desmentido de Viviane

Em seguida, Viviane postou uma foto da sua perna direita com marcas dos golpes que recebeu. Pivetta avançou pela madrugada tentando reduzir os estragos à sua imagem. O que mais ele teme é ser enquadrado na Lei Maria da Penha, que pune atos de violência contra a mulher. No próximo sábado, a lei completará 15 anos.

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