Um general, ainda por cima ministro, incomoda muita gente

É o caso de Luiz Eduardo Ramos, que já foi capaz de ajoelhar-se diante de Bolsonaro em sinal de submissão

atualizado 27/09/2021 6:06

Luiz Eduardo Ramos Wallace Martins/Estadão Conteúdo

Flávia Arruda (PL-DF), ministra da Secretaria do Governo, e Ciro Nogueira (PP-PI), chefe da Casa Civil da presidência, estão de acordo: no Palácio do Planalto, não existe maior intrigante do que o general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria-Geral.

Sim, não tem confusão alguma. A deputada Flávia é ministra da Secretaria do Governo, Ramos, da Secretaria-Geral. Sim, é verdade que o presidente Jair Bolsonaro prometeu governar com 15 ministros, e hoje tem 23. E que disse quando candidato:

“Um número elevado de ministérios é ineficiente, não atendendo os legítimos interesses da nação. O quadro atual deve ser visto como o resultado da forma perniciosa e corrupta de se fazer política nas últimas décadas, caracterizada pelo loteamento do Estado, o popular ‘toma lá-dá-cá’”.

Lindo, não? Mas vamos adiante. Flávia conta o número de dias que faltam para que seja obrigada a sair do governo, uma vez que se candidate ao Senado ou a vice na chapa do governador Ibaneis Rocha (MDB), candidato à reeleição no ano que vem.

Talvez não aguente esperar até março. Outro dia, na chapelaria da Câmara, ao despedir-se de amigos, ela admitiu: “Eu era feliz aqui e não sabia”. Modo de dizer. Ela pensou que seria feliz como ministra. Não pensou que o governo fosse um serpentário.

Ramos provou as delícias do poder, encantou-se por elas e fará qualquer coisa ao seu alcance para demorar a retornar à planície. Como bom vassalo, tudo o que o seu senhor mandar! Que tal, por exemplo, ajoelhar-se aos pés dele com as duas mãos na nuca?

De brincadeira, para mostrar a quanto iria sua submissão, o general já foi fotografado em tal posição. Bolsonaro não achou graça, mas gostou. Como gosta de ouvir as intrigas que Ramos faz, dia sim, outro também. Algumas, ele não leva em conta, outras leva.

E aí é que está a raiz do sofrimento de Flávia, mas não só dela. O senador Nogueira também sofre, mas seu casco é mais duro, e sua posição melhor. Tem mais quatro anos de mandato como senador e pode voltar à presidência do seu partido na hora que quiser.

Não só. Foi aliado de Lula e de Dilma no passado. Voltará a ser, caso conclua que Bolsonaro não se reelegerá. Joga com o tempo e não tem pressa.

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