Se depender de Bolsonaro, show da facada nem tão cedo sairá de cartaz

A Polícia Federal concluiu duas vezes que Adélio Bispo agiu sozinho. Agora, o alvo serão os advogados que o defenderam

atualizado 06/01/2022 11:17

Bolsonaro toma sopa em hospital Twitter/Reprodução

Eu não vi ou não deu tempo para que devotos do presidente Jair Bolsonaro, enrolados na bandeira nacional, aparecessem rezando na porta do hospital em São Paulo onde ele ficou internado dois dias por culpa de um camarão que não mastigou?

Depois que se recuperou da facada, Bolsonaro foi orientado pelos médicos a mastigar 15 vezes cada porção de comida que pusesse na boca, a fazer duas caminhadas diárias de meia hora, e a não pilotar motos para evitar bruscas torções na região do estômago.

Fez nada disso, e tudo sugere que não fará. A seu ver, manter viva a memória da facada ainda poderá render-lhe muitos votos. Na pior das hipóteses, a estratégia o ajudará a preservar os que restam. Mas como impedir que a memória da facada acabe perdendo força?

Dois inquéritos da Polícia Federal concluíram que Adélio Bispo, o esfaqueador de Juiz de Fora, agiu sozinho e é um perturbado mental. Por isso, a Justiça absolveu-o do crime e mandou que fosse trancafiado em um manicômio. É assim que ele está.

Os advogados do presidente, porém, deram um jeito de reabrir o caso. O delegado da Polícia Federal até então encarregado dos dois inquéritos foi promovido e despachado para o exterior. Outro delegado foi nomeado para comandar o novo inquérito.

Agora, o alvo serão os advogados de Adélio. Quer-se apurar se eles se ofereceram espontaneamente para defendê-lo, como dizem, ou se foram acionados por alguém – e quem foi? E se esse alguém é ligado a partidos ou a organizações de esquerda.

“Não está difícil desvendar esse caso”, garantiu Bolsonaro na saída do hospital. “Vai chegar em gente importante, com toda certeza. Não foi da cabeça dele que [Adélio] fez aquilo. Não há dúvida da tentativa de homicídio.”

Últimas do Blog