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Entenda por que Bolsonaro tem tudo para ser derrotado em outubro

Ele é o presidente candidato a um novo mandato mais rejeitado da história do Brasil

atualizado 29/05/2022 9:28

Em evento no Planalto do projeto "Brasil para Todos", Bolsonaro sorri enquanto olha de baixo e coça a cabeça. Ele usa terno e está sem máscara - Metrópoles Igo Estrela/Metrópoles

Se comparado em iguais condições com seus antecessores, Bolsonaro já perdeu. A menos de 130 dias das eleições, ele está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, 21 pontos atrás do seu principal adversário, Lula. É o primeiro presidente, candidato à reeleição, que chega atrás.

Desde que a reeleição para cargos majoritários foi introduzida no Brasil, o presidente candidato a um segundo mandato venceu. Venceram todos – Fernando Henrique Cardoso em 1998, Lula em 2006 e Dilma Rousseff em 2014. Lula venceu apesar do escândalo do mensalão do PT; Dilma, apesar do mal governo que fez.

A escrita poderá ser quebrada quando um presidente candidato à reeleição enfrentará pela primeira vez um ex-presidente. Nunca antes um presidente em exercício teve uma rejeição tão alta como tem Bolsonaro, segundo a mais recente pesquisa Datafolha. 54% dos brasileiros dizem que não votarão nele de jeito nenhum.

É vantajoso disputar a reeleição sem deixar o cargo. O candidato é notícia todo dia pelo que faz ou deixa de fazer, manda na máquina pública e pode conceder benefícios que fortalecem sua imagem e atraem votos. O Auxílio Brasil, por exemplo. Ao contrário do presidente candidato, seus adversários só oferecem promessas.

Em maio de 2014, a rejeição a Dilma era de 35%, e ela derrotou Aécio Neves (PSDB-MG) no segundo turno com 51,64% dos votos. Foi a eleição mais apertada. Em 2006, ainda em meio ao escândalo do mensalão, a rejeição de Lula era de apenas 27%. Ele se reelegeu com 60,83% dos votos válidos. Sua rejeição hoje é de 33%.

Fernando Henrique, o primeiro presidente a concorrer a um segundo mandato, teve em maio de 1998 uma rejeição de 26%. O Plano Real, que derrubou a inflação 4 anos antes, já fazia água. Foi o Real que em 1994 elegeu Fernando Henrique presidente. Sem o Real, ele não teria sido reeleito senador.

A última vez que um candidato teve mais de 50% de rejeição foi o ex-deputado Ulysses Guimarães (MDB) na eleição de 1989. Mas aquela foi uma eleição atípica, a primeira desde o fim da ditadura, onde só se votou para presidente. A rejeição a Ulysses foi de 52%. No primeiro turno, ele acabou em sétimo lugar.

Há várias razões para que a rejeição a Bolsonaro seja muito alta (56%). O seu é o pior governo dos últimos 60 anos. Ele não soube enfrentar a pandemia da Covid-19 que matou mais de 666 mil brasileiros. Perdeu o controle sobre a inflação. E provocou crise em cima de crise. No momento, está em conflito com a Justiça.

Em maio do ano passado, 50% dos brasileiros diziam nunca confiar nas declarações de Bolsonaro. Em dezembro, 60%. Em março último, eram 53%. Agora, 56%.