Pazuello retribui a proteção que recebe de Bolsonaro protegendo-o

E diz à Polícia Federal que a denúncia de irregularidades no Ministério da Saúde chegou-lhe como um indício e por isso não foi investigada

atualizado 30/07/2021 11:26

Pazuello e Bolsonaro em ato no Rio Aline Massuca/Metrópoles

Afinal, o que os irmãos Miranda disseram ter contado ao presidente Jair Bolsonaro em 20 de março último sobre a compra superfaturada da vacina indiana Covaxin contra a Covid-10, Bolsonaro pediu ou não ao então ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, para que investigasse?

Bolsonaro jamais negou o encontro com os Mirandas nem o teor da conversa relatada por eles. À Polícia Federal, em depoimento que durou, ontem, quatro horas, Pazuello admitiu que não houve investigação. Por que não houve? Simples. Porque a denúncia lhe chegou apenas como um indício para ser verificado.

Curioso! As provas que Bolsonaro disse possuir sobre fraudes com o voto eletrônico foram rebaixadas por ele à condição de indícios. Mas isso não o impediu de valer-se delas para promover o maior salseiro em live no Facebook na tentativa de desacreditar o sistema brasileiro de eleições. Quando indícios merecem ser conferidos?

A Justiça Eleitoral já investigou os indícios de fraude nas urnas eletrônicas e concluiu que eram falsos. O governo suspendeu o contrato para a compra da Covaxin depois da denúncia dos irmãos Miranda e agora diz, pela boca de Pazuello, que a denúncia não passava de indício, e por isso não foi investigada formalmente.

O general quer livrar Bolsonaro do risco de ser processado por crime de prevaricação. Bolsonaro quer livrar Pazuello do risco de ser processado por um conjunto de outros crimes. Uma mão lava a outra, e que se dane o que de fato aconteceu.

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