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O tiro dado por Bolsonaro que pode sair pela culatra

O voto útil pode ser a resposta à volta do fantasma do golpe

atualizado 01/10/2022 11:23

Bolsonaro monta em touro durante campanha em Petrolina Reprodução

À procura de uma bala de prata, porque as anteriores que disparou não passavam de balas de chumbinho, Bolsonaro aposta na repercussão da nota do Exército desmentindo a notícia de que quem ganhar a eleição leva. Deve ter sido por isso que a imprensa em geral a ignorou.

Se ela foi sábia em ignorar, não sei. Quando nada, a nota do Alto-Comando do Exército trai mais do que apenas o apoio dos militares à pretensão de Bolsonaro se reeleger. Trai sua cumplicidade com ele, apesar dos resultados pífios do seu governo.

Trai, no mínimo, a insatisfação dos fardados com a possível eleição de Lula. Essa insatisfação se estende ao Supremo Tribunal Federal, apontado por eles como diretamente responsável pelas dificuldades que Bolsonaro enfrenta para se reeleger.

“Este governo é uma merda, mas é o meu governo”, cito de memória uma frase pichada em muros do Chile à época do governo do socialista Salvador Allende, derrubado pelos militares nos anos 1970. O governo de Bolsonaro é uma merda, mas é militarista.

Não importa que Bolsonaro tenha humilhado generais e demitido de uma só tacada os comandantes das Forças Armadas. Não importa que ele os controle com mão de ferro e não o contrário, como os generais imaginaram de início que seria o mais lógico.

O governo emprega mais de 6 mil militares, parte deles em postos civis. Nenhum governo da ditadura de 1964 empregou tamanho contingente. Bolsonaro fez uma reforma da Previdência só para eles, e deu uma montanha de dinheiro para seus projetos.

Sim, é um governo de merda, mas é deles. Pela primeira vez, os militares chegaram ao poder pelo voto. Gostaram, e não gostariam de sair tão cedo. O novo tiro dado por Bolsonaro pode sair pela culatra, se a resposta for o voto útil que apresse sua queda.

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