Morre a terceira via e é dada a largada para a sucessão de Bolsonaro

O que está posto até agora para a eleição do ano que vem

atualizado 27/10/2021 16:35

Presidente do Senado Federal Rodrigo Pacheco e Bolsonaro durante Cerimônia de Sanção do Projeto de Lei que cria o Tribunal Regional Federal da 6ª Região 31 Igo Estrela/Metrópoles

Durou mais do que uma rosa o sonho de um candidato a presidente nem Lula, nem Bolsonaro para a eleição do ano que vem. Se bem tratada e ainda no pé, uma rosa pode durar pouco mais de uma semana, se muito. O sonho de um candidato alternativo se arrasta há meses, mas está prestes a terminar.

Hoje, em Brasília, no memorial onde repousam os restos mortais do ex-presidente Juscelino Kubistchek, Rodrigo Pacheco (MG), presidente do Senado, se filiará ao PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab com a pretensão de suceder Bolsonaro a partir de janeiro de 2023. Por mineiro, talvez ainda não admita isso.

No próximo dia 10, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, também em Brasília, será a vez de o ex-juiz Sergio Moro filiar-se ao Podemos do senador Alvaro Dias (PR). A torcida de parte dos eleitores é para que ele se declare desde já candidato a presidente, no último caso a senador. Talvez não o faça.

A política ensina que é preciso tratar o tempo como aliado. É por isso que candidato a alguma coisa costuma negar até a última hora que é candidato. “Quem tem prazo não tem pressa”, repetia Marco Maciel, ex-governador de Pernambuco e ex-vice-presidente da República no governo Fernando Henrique Cardoso.

O PSDB fixou um prazo para a escolha do seu candidato a presidente – 21 de novembro, dia das prévias a serem disputadas por João Doria e Eduardo Leite, respectivamente governadores de São Paulo e do Rio Grande do Sul, e Arthur Virgílio, ex-prefeito de Manaus. Virgílio não tem chances. Doria é o favorito.

Pacheco, possivelmente Moro, Doria ou Leite, Ciro Gomes (PDT), sempre ele… Terceira via não haverá mais. A não ser que eles firmem um acordo para ressuscitá-la lá por agosto ou setembro. Os mais fracos entre eles então apoiariam o mais forte para evitar a polarização Lula-Bolsonaro. Quem aposta suas fichas nisso?

Nada há de errado em que Lula queira como adversário Bolsonaro, e vice-versa. Para qualquer um deles, o pior cenário seria enfrentar um nome que se beneficiasse dos altos índices de rejeição que os dois amargam nas pesquisas de intenção de voto. A rejeição a Bolsonaro é maior. A de Lula não deve retirá-lo do segundo turno.

Na autoestima de Lula não há espaço para que ele aceite o que lhe aconteceu – 580 dias preso em Curitiba, e nesse período a morte da mulher, do irmão mais velho e de um neto que chegou a visitá-lo no cárcere. Fora os severos danos à imagem de quem já fora chamado pelo presidente Barack Obama de “o cara”.

Lula é candidato sem volta, salvo o acaso. Diferentemente de Bolsonaro, que só será candidato se vislumbrar a possibilidade de vitória.