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Ministro que censura artistas homologou delação contra Alckmin

É como uma caixinha de lenços de papel: você puxa um e aparece outro; puxa o outro e aparece o seguinte

atualizado 28/03/2022 8:58

Ministro Raul Araújo, do TSE, foi homenageado por Bolsonaro em junho de 2021 Foto: José Alberto/STJ

O presidente Jair Bolsonaro não tem do que se queixar do cearense Raul Araújo, em 2010 nomeado por Lula ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e desde setembro de 2020 ministro substituto do Tribunal Superior Eleitoral.

Araújo considerou propaganda eleitoral antes do tempo as manifestações políticas de artistas no Festival Lollapalooza, proibindo-as. Há cinco dias, ele negou a retirada de outdoors com imagens de Bolsonaro no interior do Mato Grosso.

Em junho de 2021, por “serviços prestados ao país”, Araújo foi condecorada por Bolsonaro com a medalha da Ordem do Mérito da Defesa, no grau de grande-oficial. Um ano antes, ele homologou uma delação contra Geraldo Alckmin.

O delator, Marcelino Rafart de Seras,  ex-presidente do grupo Ecorodovias, disse em depoimentos mantidos sob sigilo por Araújo que fez doações ilegais de dinheiro a Alckmin, e entregou farto material para mostrar como levantou o dinheiro.

Acontece que não apresentou nenhuma prova dos contatos que disse ter mantido com o Alckmin e seus colaboradores. Por isso, no último dia 10, o juiz Emílio Migliano Neto, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, arquivou o inquérito a pedido do Ministério Público.

O acordo de delação premiada de Seras foi firmado com a Procuradoria-Geral da República em janeiro de 2020. À época, o procurador já era Augusto Aras, famoso por engavetar ações contra Bolsonaro e tocar adiante as que o beneficiam.

Fundador do PSDB, Alckmin governou São Paulo quatro vezes. Candidatou-se duas vezes a presidente e perdeu. Na última, em 2018, seu programa de propaganda na televisão bateu duro em Bolsonaro. Agora, será candidato a vice na chapa de Lula.

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