Até há pouco, Jair Renan Bolsonaro nem número tinha. Flávio, o senador e antes deputado estadual pelo Rio, sempre foi designado como Zero Um. Carlos, o vereador e o mais ligado ao pai, como Zero Dois. E Eduardo, deputado federal, como Zero Três.
O Um, o Dois e o Três são filhos da mesma mãe, a primeira mulher de Bolsonaro, Rogéria Nunes Braga, que eleita vereadora depois de separar-se do marido, tentou se reeleger, mas foi derrotada pelo filho Carlos, à época com apenas 17 anos.
Jair Renan é filho da segunda mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Valle, que gerenciou o esquema da rachadinha nos gabinetes de Flávio e de Carlos, mudou-se para Brasília com Jair Renan, e agora mora na Noruega, tendo perdido a nacionalidade brasileira.
É uma família complicada, haja visto que Michelle de Paula Reinaldo, a terceira mulher de Bolsonaro, quer distância dos Zeros Um, Dois e Três, tem uma filha do primeiro casamento, e outra, Laura, do atual. Com 11 anos, Laura, por ora, carece de número.
A entrada na folha de pagamento do Estado brasileiro parece ser condição para que um filho de Bolsonaro se torne conhecido também por um número. Jair Renan faz por merecer o dele, de Zero Quatro, pois acaba de ser admitido nos quadros do Senado.
Ele vai trabalhar no gabinete do senador Jorge Seif (PL-SC) como auxiliar parlamentar pleno com salário inicial de R$ 9,5 mil. E com a vantagem de não precisar abdicar da condição de influenciador digital que lhe rende uma grana particular.
Seif foi secretário da Pesca do governo Bolsonaro e segue aliado do ex-presidente. Ele foi escolhido para o cargo ainda em 2018, antes mesmo da posse de Bolsonaro. O Zero Quatro já foi investigado sob suspeita de tráfico de influência e lavagem de dinheiro.
O caso foi arquivado porque a Polícia Federal não encontrou provas do crime.