CPI da Covid-19 retoma a missão de desgastar a imagem do governo

Crime abortado depois de descoberto salva Bolsonaro e Pazuello de maiores complicações

atualizado 02/08/2021 5:16

Senadores Randolfe Rodrigues (Rede AP), Simone Tebeb (MDB MS) e Humberto Costa (PT PE), falam com à imprensa ao final da CPI da COVID-19 Igo Estrela/Metrópoles

Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) serve antes de tudo para desgastar governos. Poucas são aquelas que derrubam governos. A CPI da Covid-19 está cumprindo bem o seu papel a ser retomado, nesta semana, e que se esgota daqui a mais 90 dias.

Mas não espere que ela vá muito além. O crime principal que investiga, o da compra superfaturada da vacina indiana Covaxin, foi um crime que acabou abortado depois de ter sido descoberto. Foi a CPI que o descobriu, e o governo que o abortou.

Por não ter se consumado, o crime não deixou de ser crime, e de envolver potenciais criminosos que lucrariam com ele. Mas forneceu ao governo um discurso robusto de que atuou a tempo de evitar prejuízos aos cofres públicos. Ou maiores prejuízos.

O relatório final da CPI deixará mal Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e dezenas de outras pessoas, com ou sem farda, do governo ou de fora dele. Bolsonaro será acusado de ter tomado conhecimento de um crime e de nada ter feito.

Augusto Aras, reconduzido ao cargo de Procurador-Geral da República por mais dois anos, receberá uma cópia do relatório e, passados alguns meses, o arquivará alegando falta de provas. Nem por isso a CPI terá perdido o seu tempo. O estrago foi feito.

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