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Companheiros e companheiras, com vocês Geraldo Alckmin

Discurso do ex-governador de São Paulo deve diminuir a resistência ao seu nome dentro do PT

atualizado 24/03/2022 12:45

O discurso do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin no ato de filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi pensado, palavra por palavra, primeiro para calar os que dentro do PT ainda se opõem à sua candidatura a vice na chapa de Lula; segundo para justificar uma aliança política considerada impossível há poucos meses.

Surpreendeu favoravelmente os que o escutaram na sede do PSB, em Brasília, porque Alckmin, de saída, valeu-se da saudação que é marca registrada de Lula quando fala para grandes plateias: “Companheiros e companheiras”. O discurso terminou uma frase de Mário Covas (PSDB), governador a quem ele sucedeu:

“Apoiar não significa deixar de emitir discordância.”

Covas apoiou a candidatura de Lula a presidente em 1989, apesar de os dois divergirem em muitas coisas. Ao citá-lo, Alckmin acrescentou:

“Igualmente é preciso não confundir discordância com ultimato, nem lealdade com subserviência. A lealdade é um valor praticado entre companheiros, mas há uma forma de lealdade que se sobrepõe a todas: a lealdade aos destinos do país.”

Sublinhou, assim, como pretende comportar-se caso ele e Lula sejam eleitos. E fez questão de não fugir ao tema que seus desafetos saberão explorar durante a campanha: o que de fato levou-o a juntar-se a um antigo adversário com quem já se bateu. Disse três vezes que o país atravessa um “momento excepcional”.

“Alguns podem estranhar. Eu disputei com o presidente Lula a eleição em 2006 e fomos para o segundo turno, mas nunca colocamos em risco a questão democrática, nunca. O debate era de outro nível, nunca se questionou a democracia.”

Não se derramou em elogios a Lula. Os que fez, porém, pareceram sinceros e podem ter bastado para atenuar resistências da esquerda ao seu nome.

“Temos que ter os olhos abertos para enxergar e a humildade para entender que ele [Lula] é hoje o que melhor reflete e interpreta o sentimento de esperança do povo brasileiro. Aliás, ele representa a própria democracia, porque ele é fruto da democracia.”

Sobraram para Bolsonaro algumas estocadas. Duas delas:

“Violência, intolerância: é impressionante o retrocesso civilizatório que vivemos. E, de outro lado, uma economia parada, com uma inflação absurda. Então é hora de desprendimento, convergência, união para o Brasil retomar sua atividade.”

“É inacreditável ter, em pleno século 21, negacionismo em vacina, em vacina para criança, logo no país que tem um dos melhores protocolos de imunização do mundo.”