Bolsonaro vai de mal a pior, mas ainda está vivo e pode vencer

Núcleo duro dos que apoiam o presidente para o que der e vier caiu de 17% para 11%

atualizado 19/09/2021 7:05

motociata de dia dos pais em Brasília Arthur Menescal/Especial Metrópoles

Foram duas frases que puseram tudo a perder para Bolsonaro. A primeira ao referir-se a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, como “canalha”. A segunda, ao dizer que “este presidente” jamais respeitará decisões do ministro.

As demais coisas que saíram da boca dele no dia 7 de setembro último eram perfeitamente assimiláveis, bem como expressivas as multidões que reuniu de manhã em Brasília e à tarde na Avenida Paulista. Bom de faro, porém, menos de 48 horas ele arregou.

Sentiu cheiro de carne queimada; o Centrão dava os primeiros sinais de que poderia abandoná-lo mais cedo do que planejara. Então, Bolsonaro pediu socorro a Temer, assinou a promissória que ele lhe apresentou e deu lugar a Jairzinho paz e amor.

Aplicada entre os últimos dias 13 e 15, pesquisa eleitoral Datafolha deu-lhe carradas de razões. Perguntado sobre se o impeachment deveria ser a consequência caso Bolsonaro desobedecesse ordens do Supremo, 76% dos brasileiros responderam que sim.

Em abril do ano passado, 45% dos entrevistados eram favoráveis à abertura de impeachment contra o presidente. Agora, 56%. Metade da população acha que ele pode tentar dar um golpe, e dessa metade 30% acreditam muito na hipótese. Nem por isso…

Nem por isso diminuiu o apoio à democracia como melhor regime de governo. Pensam assim 70% das pessoas, só 9% admitem a ditadura. É o segundo maior índice de apoio à democracia registrado desde o início da série de pesquisas em 1989.

Bolsonaro vai de mal a pior. Eleito com 55% dos votos válidos, hoje tem 22%. E 26% dos que votaram nele rejeitam repetir o voto. Em março do ano passado, 33% consideravam ruim ou péssimo seu desempenho no combate à pandemia. Hoje, 54%

Para 44% em abril do ano passado, Bolsonaro era despreparado. O percentual aumentou para 62% em agosto deste ano. Os que avaliavam seu governo como ruim ou péssimo em abril de 2020 eram 32%; são 53% este mês. Quer mais?

Bolsonaristas de raiz, fiel, que votaram nele, que votariam de novo, que avaliam o governo como ótimo ou bom e concordam com tudo o que ele diz, eram 17% no ano passado, agora apenas 11%. Significa que Bolsonaro não se reelegerá? Ainda não. Uma pena!

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