Bolsonaro foi orientado a não bater de frente com os Miranda

A ordem que o presidente cumpre é de não desmentir o que os irmãos Miranda disseram à CPI da Covid-19, para não se arriscar a mentir

atualizado 29/06/2021 13:57

Luis Miranda e Jair Bolsonaro Divulgação/Luis Miranda

Onde leu: o presidente Jair Bolsonaro diz que não há corrupção no seu governo; leia: o presidente Jair Bolsonaro diz que não tem como saber o que acontece nos 22 ministérios do seu governo.

Até nisso Bolsonaro copia seu mais perigoso adversário, Lula. Uma vez, sobre denúncias de roubalheira no seu governo, Lula disse que é impossível saber o que fazem os próprios filhos.

Lula nunca partiu para bater com ferocidade em pessoas que o delataram por supostos crimes. Bolsonaro copia-o outra vez ao não bater de frente com os irmãos Miranda, que o delataram.

Os irmãos contaram à CPI da Covid-19 que denunciaram pessoalmente a Bolsonaro a falcatrua da compra superfaturada da vacina indiana Covaxin. E que ouviu dele que tudo seria apurado.

Bolsonaro foi orientado por assessores a ignorar o que os irmãos disseram ou venham a dizer. Ao não desmenti-los diretamente, ele evita o risco de ser apontado mais tarde como mentiroso.

O Supremo Tribunal Federal declarou o ex-juiz Sergio Moro suspeito de parcialidade e anulou os processos conduzidos por ele contra Lula, que poderá disputar as próximas eleições.

A situação de Lula, hoje, na Justiça, é mais confortável do que a de Bolsonaro se ele não se reeleger. Sem falar, naturalmente, da situação eleitoral, em que Lula está em alta e Bolsonaro em baixa.