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Boletim do golpe (1): Justiça rebate supostas dúvidas dos militares

Bolsonaro e o Ministério da Defesa se empenham em lançar suspeitas sobre as urnas eletrônicas e a apuração dos votos

atualizado 10/05/2022 7:57

Cerimônia de comemoração do dia do soldado no Quartel General do Exército agenda bolsonaro militares 1 Rafaela Felicciano/Metrópoles

Lembra-se de que Bolsonaro, em 27 de abril passado, disse que os militares haviam manifestado à Justiça seu interesse em fazer apuração paralela dos votos das eleições de outubro próximo?

De acordo com ele, os votos das eleições são apurados em uma “sala secreta” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na qual “meia dúzia de técnicos dizem ao final: ‘Olha, quem ganhou foi esse'”.

A proposta seria a de instalação de “um cabo” ou “duto” de modo que todos os “dados” fossem transmitidos também para um computador específico das Forças Armadas.

Foi em discurso no Palácio do Planalto que Bolsonaro revelou:

“Uma das sugestões é que, [com] esse mesmo duto que alimenta na sala secreta os computadores, seja feita uma ramificação um pouquinho à direita para que tenhamos do lado um computador também das Forças Armadas para contar os votos no Brasil”.

Para variar, Bolsonaro mentiu. Entre as recomendações feitas pelo Ministério da Defesa, não consta nenhuma desse tipo, segundo informou o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin.

A mentira de Bolsonaro é mais uma entre tantas para desacreditar o sistema eleitoral e faz parte do seu plano golpista de não reconhecer os resultados oficiais das eleições caso as perca.

O tribunal rebateu sete questionamentos levantados pelos militares em relação às eleições. Sobre três deles, apontou “erro de premissa”, descartando quatro porque já há medidas no mesmo sentido em prática.

Uma das sugestões dos militares foi a de aumentar o número de urnas a serem sorteadas para se submeterem a auditorias independentes no dia da votação.

O tribunal respondeu que o tamanho atual da amostra (648 urnas) é mais do que suficiente para o teste. Os militares sugeriram que os Tribunais Regionais Eleitorais também apurem os votos.

Resposta do TSE: os tribunais regionais sempre comandaram as apurações em seus estados. Boletins gerados por cada urna ao fim da votação são afixados na porta de cada zona eleitoral do país.

Por mais que neguem, os militares e Bolsonaro estão unidos na tarefa de semear dúvidas não só sobre a segurança das urnas eletrônicas como sobre o processo de apuração.