Atenção! Bolsonaro, o presidente misógino, volta a atacar

Se além de mulher for jornalista, saiba que você é a presa favorita de quem elegeu um dos filhos vereador só para derrotar a própria mãe

atualizado 22/06/2021 3:41

Presidente Jair Bolsonaro , durante apresentação das ações para desburocratização e atração de investimentos para setor de turismo 3 Igo Estrela/Metrópoles

Verdade que nas últimas 48 horas, o presidente Jair Bolsonaro havia feito 10 publicações nas redes sociais sobre diversos assuntos, nenhuma em solidariedade às famílias dos 500 mil mortos pelo vírus, marca atingida pelo Brasil no dia em que mais de 700 mil pessoas foram às ruas protestar contra seu governo.

Mas em Guaratinguetá, interior de São Paulo, onde participou da cerimônia de formatura da Escola de Especialistas de Aeronáutica, ele decidiu falar a respeito: “Lamento todos os óbitos, lamento. Muito. Qualquer óbito é uma dor na família.” Verdade também que não resistiu a elogiar o tratamento precoce, mas fazer o quê?

Do lado de fora da escola, ouviu gritos de “fora, Bolsonaro”, “genocida”, e não reagiu; ao contrário do general João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, que em 1979 quis sair no braço com manifestantes que o vaiaram em Florianópolis. Sete deles foram presos e enquadrados na Lei de Segurança Nacional.

Bolsonaro descontrolou-se pouco mais tarde ao ver-se diante da presa que o leva a salivar: uma mulher, e se não bastasse, jornalista, que lhe perguntou por que não usava máscara como manda a lei. No início do mês, o presidente já agredira a jornalista Daniela Lima, da CNN Brasil, chamando-a de “quadrúpede”.

Em 26 de abril passado, a repórter Driele Veiga, da TV Aratu, da Bahia, perguntou-lhe: “Presidente, o senhor foi criticado em uma foto postada dizendo ‘CPF cancelado’ em um momento de tantas pessoas morrendo. O que tem a dizer?”. A resposta não demorou: “Você não tem o que perguntar não? Deixa de ser idiota!”

À repórter Laurene Santos, da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo no Vale do Paraíba, Bolsonaro disse em um ataque escandaloso de fúria e depois de retirar a máscara que até então usava:

“Você está feliz agora? Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria. Cala a boca! Vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha. Vocês não ajudam em nada. Vocês destroem a família brasileira, a religião. Você tinha de ter vergonha de prestar esse serviço porco à Rede Globo”.

O uso de máscaras em público é obrigatório no estado de São Paulo desde maio de 2020, conforme decreto nº 64.959. É obrigatório em todo o país, conforme lei aprovada pelo Congresso. O uso da proteção é defendido por autoridades sanitárias em todo o mundo como medida eficaz para evitar a disseminação da Covid.

As mulheres estão no radar de Bolsonaro para serem maltratadas por ele. Isso nada tem de casual. A jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de São Paulo, foi outra vítima do presidente. Ele foi condenado por danos morais à deputada Maria do Rosário ao dizer que ela “não mereceria ser estuprada” por ser feia.

O sexismo de Bolsonaro não respeita fronteiras. Em agosto de 2019, ele endossou a mensagem de um dos seus devotos no Facebook onde Brigitte Macron, a primeira-dama da França, 24 anos mais velha do que o marido, era chamada de feia. O ministro Paulo Guedes, da Economia, correu para apoiar seu chefe e guia.

Esperar o quê de quem, arrependido de ter elegido sua primeira ex-mulher vereadora, convenceu o filho número dois a ser candidato só para derrotar a própria mãe? À época, Carlos tinha 17 anos de idade. Chegou à Câmara para tomar posse de mãos dadas com o pai. É uma pessoa atormentada até hoje.

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