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A primeira família presidencial brasileira chora perda de ministro

Um novo ministro a cada 43 dias de governo. Está de bom tamanho ou querem mais?

atualizado 29/03/2022 8:38

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A demissão do quarto ministro da Educação em três anos e três meses de governo foi pranteada pelo clã Bolsonaro e a parte não evangélica dos bolsonaristas sinceros, mas radicais. A parte terrivelmente evangélica da turba comemorou. O Centrão, ídem.

Bolsonaro disse que poria a cara no fogo pela inocência de Milton Ribeiro, acusado de liberar verbas do Fundo Nacional da Educação de acordo com a vontade de dois pastores cobradores de propinas. Mas, foi Bolsonaro quem recomendou os pastores.

Michelle, a primeira-dama, tão ou mais evangélica do que os pastores e do que o próprio Ribeiro fez o que pode para que o ministro ficasse ministro. Quando perdeu a parada, declarou que Ribeiro é honesto e que provará isso no futuro.

A profissão de fé mais enfática na inocência de Ribeiro foi feita pelo ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, candidato de Bolsonaro ao governo de São Paulo. Ele chamou o ex-colega de “homem honrado, digno, puro”, com o cuidado de acrescentar:

“Por causa dessa pureza pode ter sido levado a algo errado.”

Foram 10 dias de notícias negativas para o governo desde que se soube que um gabinete paralelo havia sido montado no Ministério da Educação, e que ali havia um foco ativo de corrupção. Como o governo mais honesto da história poderia ter convivido com isso?

Era preciso extirpar o mal para não pôr em risco a reeleição de Bolsonaro e dos que o apoiam e dependem dele para seguir numa boa. O Centrão determinou: “Fora com Ribeiro”. A poderosa bancada evangélica na Câmara ecoou: “Estamos sangrando”.

Mas foi o silêncio dos pastores evangélicos nos cultos que fez Bolsonaro sair de seu estado letárgico. De repente, os que oravam por ele e pediam votos para elegê-lo simplesmente calaram. Dedicaram-se apenas às coisas de Deus e dos fiéis atormentados.

Um comandante de escol não abandona pelo caminho soldados feridos em batalha. A não ser que os feridos se tornem um estorvo para ele, como até Napoleão fez. A Bolsonaro não restou outra escolha. Para não continuar em perigo, abandonou Ribeiro.

Dele, forçado a pedir demissão por meio de uma carta-manifesto, se dirá que abandonou o comandante. E assim, os pastores que não participavam da farra no Ministério da Educação voltarão a louvar Bolsonaro e a destacar suas virtudes de homem santo.

Ouço vindo do alto que Bolsonaro tinha medo de que o demissionário ministro da Educação saísse do governo atirando. Atirando em quem? Ora, nele, Bolsonaro. E o que o ministro iria atirar? Bolsonaro sabe melhor do que ninguém, mas não confessa.

E pensar que em 2018 Bolsonaro apresentou-se ao distinto público como não-político, embora deputado há sete mandatos; adversário do Centrão, embora filiado a partidos do grupo; admirador da Lava Jato e do juiz Sérgio Moro; e feroz inimigo da corrupção.

Cinco ministros da Educação em 3 anos e 3 meses; cinco ministros da Saúde se o atual largar o cargo para se eleger deputado federal; no conjunto da obra, um novo ministro a cada 43 dias. Está de bom tamanho ou querem mais?

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