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A Justiça Eleitoral admitiu um Cavalo de Tróia nos seus domínios

A farda associa-se a Bolsonaro para desacreditar o sistema eleitoral

atualizado 06/05/2022 9:18

Igo Estrela/Metrópoles

Se eu sei que um ministro do Supremo Tribunal Federal agradeceu de joelhos à mulher de um governador por sua ajuda para que ele fosse nomeado, e que outro, guiado por um lobista de empreiteira visitou senadores atrás de apoio para que seu nome fosse aprovado, por que as Forças Armadas não saberiam?

Por que Bolsonaro não saberia? Por que tais fatos, no limite, não serão usados contra eles? Se as mais delirantes mentiras circulam impunemente, por que a verdade, em estado bruto ou a serviço de uma narrativa maliciosa, por que ela será punida? Ainda não vimos nada do que está por vir…

O general Villas Boas, à época o todo poderoso comandante do Exército, ajudou Bolsonaro a se eleger com informações sigilosas e recursos cibernéticos à sua mão. No dia em que foi empossado, Bolsonaro homenageou-o publicamente, cochichando algo aos seus ouvidos. Depois, nomeou-o assessor especial.

Por que o atual comandante do Exército, escolhido por Bolsonaro, não seguirá o exemplo dado por Villas Boas? Por que a essa altura já não estará seguindo, com o aval do ministro da Defesa, também general, e do aspirante a vice na chapa de Bolsonaro, outro general? Há mais coisas entre o céu e a terra do que supomos.

Golpe para melar os resultados de uma eleição não se faz mais com tanques nas ruas, muito menos com aqueles esfumaçados que uma vez foram postos a desfilar em frente ao Palácio do Planalto a pretexto de entregar um convite ao presidente da República. Foi de envergonhar, uma operação cucaracha das mais cucarachas.

Golpe é também o emprego às escondidas de instrumentos ilegais para forçar a eleição de um candidato. O medo costuma ser uma forte e eficiente arma que influencia a decisão de uma parcela expressiva dos eleitores. É para aguçar o medo que Bolsonaro se ocupa em tentar desacreditar o sistema eleitoral.

Para isso não lhe falta companhia. O general Paulo Sérgio de Oliveira, ministro da Defesa, pediu ao ministro Edson Fachin, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, que divulgasse uma nova leva de perguntas que o Exército lhe endereçou a propósito do funcionamento das urnas eletrônicas e da apuração dos votos.

Este foi o maior tropeço do tribunal em sua história recente. Às Forças Armadas, nada têm a ver com isso, foi oferecido um lugar na comissão que trata do aperfeiçoamento das urnas eletrônicas e do processo de contagem dos votos. Desde que o voto eletrônico substituiu o impresso, não se registrou uma única fraude.

O tribunal já respondeu a 88 perguntas que lhe fez o Exército. Em nome da transparência, o ministro da Defesa quer que responda de imediato às que faltam. Ou que as divulguem antes que as respostas fiquem prontas. Pretende o quê? Lançar novas suspeitas sobre o sistema eleitoral e fornecer munição aos bolsonaristas.

As Forças Armadas não podem falar em transparência porque não são transparentes. Se fossem, saberíamos por que o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, não foi punido depois de participar de uma manifestação política ao lado de Bolsonaro. Nunca saberemos a quantidade exata de Viagra comprado.

Você já deve ter ouvido falar em Cavalo de Tróia. Se não ouviu, dê uma googlada. A Justiça Eleitoral admitiu um Cavalo de Tróia nos seus domínios.

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