
O que o "não" do STF revela sobre André Mendonça
Mendonça reafirma prorrogação, mas maioria do STF vê ilegalidade e barra palanque da CPMI.

O Supremo Tribunal Federal formou maioria esmagadora – um acachapante 8 a 2 – para colocar um ponto final na CPMI do INSS, ou seja, para que tivesse seu fim na data prevista. A tentativa do senador Carlos Viana de prorrogar os trabalhos a ferro e fogo bateu de frente com o “chega pra lá” dos ministros, que não aceitaram transformar a Corte em avalista de um palanque eleitoral disfarçado de investigação.
O isolamento de André Mendonça foi o dado político mais relevante do julgamento. O ministro, que tentou salvar a comissão com uma decisão monocrática, viu até mesmo o colega Nunes Marques – que costuma rezar pela mesma cartilha – votar contra a prorrogação, deixando Mendonça pregando sozinho no deserto.
O Supremo deixou claro que CPI não é rinha política. Conduzida por bolsonaristas, produziu muito barulho e pouca entrega. Passaram meses tentando emplacar o nome de Frei Chico e Lulinha nas manchetes, mas a realidade foi impiedosa: o próprio presidente da comissão, Carlos Viana, teve que admitir em rede nacional que não havia provas contra o filho do presidente. Investigar parentes por “vínculo de amizade” com sócios de fulano pode render cortes para as redes sociais, mas não sustenta um inquérito sério.
Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes foram cirúrgicos: investigação exige evidência, não apenas vontade política de desgastar o adversário em ano eleitoral. Para quem esperava um escândalo capaz de derrubar o governo, o que sobrou foi um relatório vazio e uma derrota humilhante na Praça dos Três Poderes.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO tempo dos “justiceiros de plenário” parece estar chegando ao fim. Ou se investiga com técnica, ou arriscam um freio e uma bela derrota.
Para André Mendonça, o recado foi claro: a Corte é um lugar para chegar devagar, debater e ter sempre em mente que as decisões acontecem de dentro pra fora.

