Faltam 450 dias para o Brasil livrar-se de Guedes, Bolsonaro & Cia

Ministro da Economia diz estar “supertranquilo” apesar da descoberta de que escondia dinheiro em paraíso fiscal

atualizado 07/10/2021 7:27

Paulo Guedes, ministro da econômia e o presidente jair bolsonaro durante lançamento do Programa Gigantes do Asfalto no palácio do Planalto Igo Estrela/ Metrópoles

De saída, ontem à noite, de uma reunião nos seus domínios, Paulo Guedes, ministro da Economia, ex-Posto Ipiranga do governo Jair Bolsonaro, comentou que está “supertranquilo” depois de ter sido convocado pela Câmara dos Deputados para explicar por que depositou uma fatia de sua fortuna em um paraíso fiscal.

Duas comissões da Câmara já o haviam convocado. Desta vez, foi o plenário da Câmara, por 310 votos contra 142. É raro que um requerimento de convocação de tal natureza seja aprovado pelo plenário. Tanto mais quando o governo conta ali com a maioria dos votos. Mas o caso de Guedes é especial.

Ao governo interessa sepultar o assunto o mais rapidamente possível, e Guedes teima em permanecer calado, manifestando-se apenas por meio dos seus advogados e em documentos endereçados à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo Tribunal Federal. À oposição interessa que o ministro sangre em praça pública.

Abrir conta em paraíso fiscal não é ilegal – governantes, banqueiros, empresários, bandidos presos ou procurados, organizações criminosas abrem todo dia para não pagar impostos, proteger tenebrosas transações ilícitas e lucrar com aplicações em moedas mais estáveis do que a dos seus países.

Daí porque, uma vez que contas como essas são descobertas, seus titulares se veem envolvidos em escândalos e são obrigados a dar explicações. Nem todos dão. Mas como não dar o ministro de uma das maiores economias do mundo, o principal responsável pelo grau de confiança interna e externa na moeda do seu país?

Pode ser legal, mas é imoral uma autoridade pública lucrar pessoalmente com decisões que incidem sobre a sorte do seu e do dinheiro alheio. Antes de virar ministro, Guedes criticava os que agiam assim e defendia que os super-ricos pagassem mais impostos. No que virou ministro… Sabe como é.

Perderá o emprego por causa disso? Coisa nenhuma! Os super-ricos ainda o preferem no cargo, é da turma. Os deputados, de olho nas próximas eleições, esperam extrair vantagens de um ministro enfraquecido. E Bolsonaro, idem, porque precisa gastar para além do teto fiscal se quiser ter chances de se reeleger.

Quanto aos que passam fome, ou mal ganham para se alimentar, os que pagam impostos em dia e os que atrasam porque falta dinheiro e sobram dias no fim do mês, nada têm a ganhar com a permanência de Guedes e do desgoverno do qual ele faz parte. Mas ainda faltam 450 dias para que o país se livre deles.