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Viagem de Campanha: Bolsonaro, o pastor e o padre (Vitor Hugo Soares)

Golpe estratégico de mestre ou tiro pela culatra?, eis a questão que não quer calar nesta viagem de campanha

atualizado 24/09/2022 1:42

Bolsonaro faz discurso na embaixada brasileira em Londres Rachel Sabino/Especial Metrópoles

Na reta de chegada às urnas do primeiro turno das eleições de outubro que vem, parece aconselhável, diante de fatos recentes, sinalizar áreas de risco, com placas fosforescentes, e o aviso: “Cuidado!, Perigo!, Bolsonaro na área”. Medida drástica mas necessário, depois que o presidente, em permanente estado de campanha para a reeleição, transformou em palanque a sacada da sede da embaixada brasileira em Londres, chocando os britânicos, incrédulos diante do espetáculo afrontoso de quebra do luto no funeral da rainha Elizabeth II. E, no dia seguinte, o “comício” em Nova York, ao abrir a 77ª Assembléia Anual das Nações Unidas, quando avançou vários pontos além da curva, no tortuoso discurso de 20 minutos – mais próprio de palanqueiro desviado de rota e disposto a tudo – mesmo aos maiores absurdos para se reeleger, que de chefe de estado do mais importante País do Hemisfério Sul.

Golpe estratégico de mestre ou tiro pela culatra?, eis a questão que não quer calar nesta viagem de campanha.

Profissional de imprensa que vem de longe, mais exatamente do tempo em que nas faculdades de Comunicação, nos manuais de redação e na prática diária da busca pela notícia, veraz e bem apurada, se ensinava como lição basilar , que o jornalista deve ser cético e duvidar sempre das informações do centro do poder ou dos poderosos da vez, em geral eivadas de interesses e jogadas nada republicanos.

Assim, comecei a desconfiar de que algumas pessoas e muitas coisas estavam fora da ordem, nesta viagem do presidente candidato do PL, quando deparei com o fato, no portal METRÓPOLES, das presenças do pastor evangélico, Silas Malafaia, e do padre católico, Paulo Antônio de Araújo, na comitiva presidencial brasileira a Londres e NY.

Diante de informação como esta, o jornalista (cristão ou não) é levado a imaginar que algum pecado ou malfeito se esconde por trás, nas sombras. Basta investigar ou esperar que se revele, como ocorreu em seguida, ainda na capital britânica, onde, questionado por profissionais atentos,sobre a sua presença no giro presidencial. o pastor Malafaia disse: “É uma viagem só. Lá (em NY, no ato na da ONU), não terei nenhuma representação. Na minha visão, eu acho que o presidente trouxe um pastor e um padre, por essa questão (no funeral da rainha) de religião cristã, sobre morte e vida eterna. Mas isso é só o que eu penso”, afirmou o líder evangélico, encontrando um jeito de apontar a presença também do religioso católico no tour.

Na raiz desta concepção tão primária e óbvia, de cooptação política e acumpliciamento ético, a avaliação aética e antiquada do presidente ( e dos que participaram do plano) , se instala o convencimento da absolvição (e impunidade), por qualquer pecado ou malfeito cometido ou ainda a cometer, bastando para isso uma simples confissão dos erros, por mais graves que sejam, a um dos agraciados religiosos de sua régia comitiva. E cumprir uma penitência qualquer: pagar um “dízimo”, ou rezar um terço. De qualquer sorte, é bom que a sociedade, a imprensa e todo os que prezam a democracia, acatam a Constituição e a Justiça e defendem eleições livres e salutar alternância de poder, se mantenham atentos e vigilantes. Afinal, falta ainda uma semana para o encontro dos brasileiros com as urnas, e pode ser que o pior ainda não tenha acontecido. A ver.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

 

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