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Sombras de­ 7 de Setembro: a falta de Mãe Menininha (por Vitor Hugo)

Situação atiçada a cada dia pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados do Centrão e grupos ativistas nas redes sociais

atualizado 13/08/2022 0:01

bolsonaro discursando Fábio Vieira/Metrópoles

Rumores, gritos e ameaças veladas, de rupturas golpistas, partem do Palácio do Planalto, em Brasília – mesmo depois do expressivo ato de leitura do Manifesto em Defesa da Democracia, neste 11 de agosto, na lendária Faculdade de Direito do Largo São Francisco, em São Paulo, e ressonância pelo país inteiro. Ruídos jocosos e indiferentes às conseqüências políticas, sociais e institucionais, que advirão, crescentes à medida que se aproxima o 7 de Setembro de 2022, dos 200 anos da Independência do Brasil, do império português.

Os atos desta quinta foram belos e simbólicos, mas se evvidenciou a falta de vozes de lideranças de bom senso e força nacional, capazes de serenar os ânimos à beira de uma explosão geral de nervos, somados à tensão que se amplia, com perigo de fraturas constitucionais.

Situação atiçada a cada dia pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados do Centrão e grupos ativistas nas redes sociais – com participação explícita, desde a convenção nacional do PL, no Rio de Janeiro, de pilares populistas e “dinheiristas” (como meu saudoso pai definia os sem princípios da política e da administração pública), ocupantes de cargos em ministérios, na Casa Civil, na Câmara e Senado, distribuidores de benesses públicas do orçamento submerso e mal camuflados, nos ataques anti-democráticos do “mito”, na sua tóxica e explosiva campanha de reeleição.

Foi o que se viu em comícios no Recife, e em entrevistas com acusações infundadas e levianas às urnas eletrônicas – além de ataques ofensivos a ministros do Superior Tribunal Eleitoral (Luiz Roberto Barroso, Luiz Fachin e Alexandre de Moraes, (ex, atual e futuro presidente do TSE, respectivamente), encarregados da lisura nas eleições gerais que se aproximam.

Em tempos assim sente-se falta de figuras públicas e sociais de expressão política, econômica, religiosa, cultural e social, com isenção ideológica, ante a perspectiva de desastre, como agora se evidencia. Nomes que a Nação escute, medite e se posicione. Personalidades como as das lutas de resistência contra a ditadura ou nas comemorações do Sesquicentenário da Independência. De Ulysses Guimarães e Tancredo Neves (política), de José Ermírio de Moraes a Amador Aguiar (economia) e de Alceu de Amoroso Lima, D. Helder Câmara (igreja católica) e muitos mais.

Na Bahia pontuavam duas das mais extraordinárias figuras de conciliação nacional dos anos da ditadura: Mãe Menininha do Gantois (1894-1985), destacada com louvores esta semana pela BBC News, em reportam comemorativa dos 100 anos da consagração de Maria Escolástica da Conceição Nazaré, como sacerdotisa maior do candomblé e dos cultos afro-orientais na Bahia e no País – e D. Avelar Brandão Vilela, na época, Cardeal de Salvador e Arcebispo Primaz do Brasil, “voz pacificadora e serena em defesa da democracia das liberdades constitucionais.

No caso da Ialorixa da doçura do Gantois, “a voz lúcida e indispensáveis, que todos ouviam para saber como as coisas deviam ser direcionadas”, diz o sociólogo e antropólogo, Rodney Williams Eugênio, da PUC/SP, na reportagem da BBC News, no trabalho jornalístico de relevo, publicado no Correio Braziliense.

Fico por aqui, até por questão de espaço. E peço que as luzes da Mãe do Gantois se espalhem e protejam as trilhas e encruzilhadas da democracia no Brasil, antes de 7 de Setembro ou até outubro!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected]

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