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Simon aposta em Simone: suspiros da 3ª Via (por Vitor Hugo Soares)

As forças da Terceira Via, porém, parecem não compartilhar da mesma convicção do ex-senador

atualizado 21/05/2022 3:09

Ex-senador Pedro Simon (MDB-RS) Reprodução/Facebook

Aos 92 anos, o ex-senador Pedro Simon demonstra em entrevista ao Estado de S. Paulo, que ainda há vida pulsante e pensamento independente no MDB. Além de Inteligência ativa aprimorada com o tempo. Visão de perspectiva – “coisa rara em nossos políticos, que, em geral, não enxergam meio palmo além do umbigo e dos próprios interesses”, como ouvi do falecido líder Leonel Brizola em seu exílio, no Uruguai. Apesar dos pesares, dos parasitas e outras pragas que se multiplicam, há décadas, dentro do partido mais simbólico da resistência democrática contra a ditadura no país, conduzido exemplarmente por Ulysses Guimarães. Até a morte trágica.

Gancho jornalístico factual deste artigo, a conversa jornalística se dá no momento em que o MDB – ao lado do União Brasil e do PSDB – se debate em areias movediças para decidir o nome como via alternativa, no projeto de centro democrático que se contraponha ao confronto na polarização Bolsonaro x Lula. Simon ressurge como exemplo vivo e representativo do lado autêntico do PMDB da resistência. Presente nas batalhas icônicas contra a intolerância política, a corrupção e o arbítrio ditatorial, o entrevistado mantém a força retórica, a lucidez, domínio das informações e capacidade de enxergar adiante.

Ao Estadão, o líder gaúcho não só falou sobre o jogo das eleições gerais deste ano, como mexeu nas entranhas do MDB. Apresentou sugestões, defendeu princípios éticos e polemizou sem meias palavras, como se deve e a sociedade cobra de seus líderes.

Um destaque é a confissão explícita de Simon, do seu desapontamento com a conduta adesista de caciques estaduais que “racharam” o partido para apoiar o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de voltar ao mando no Palácio do Planalto nas próximas eleições. “É doloroso”, disse Simon sobre a má conduta adesista e sem princípios de facções partidárias – a exemplo das comandadas pelo senador Renan Calheiros, em Alagoas e Eunicio de Oliveira, no Ceará – que desprezam a opção da “espetacular candidata” (a senadora Simone Tebet) “em troca de nome petista”.

Do alto da sua experiência na política nacional, o decanp afirma que não há melhor nome que o de Simone Tebet (sua aposta presidencial, em consonância com a decisão de seu partido em convenção nacional), no momento complexo e delicado que o país atravessa. Simon reconhece a dificuldade interposta ao nome da senadora ex-presidente da CCJ e destaque na CPI da Covid 19, pelo grupo de seu partido que apoia Lula “e gostou de mamar nas tetas do governo petista”. Mas é enfático: “Hoje não tenho dúvidas de que nesse drama cruel que estamos vivendo – em que, de certa forma querem determinar que metade do Brasil seja Lula e a outra metade Bolsonaro – o PMDB reúne condiç&ot ilde;es de dar grande caminhada para um país realmente democrático. Simone Tebet é um nome espetacular. É uma mulher digna, honesta e competente”, vibra o político gaúcho.

As forças da Terceira Via, porém, parecem não compartilhar da mesma convicção do ex-senador, e seguem, reforçadas pelos adesistas tucanos (indóceis para apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro), que torpedeiam o nome do ex-governador de São Paulo, João Dória, eleito em prévias como opção do partido, cuja indicação, marcada para quarta-feira 18, foi protelada para a terça-feira que vem. Resta esperar. E ver no que dá.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: [email protected]

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