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O vice de Bolsonaro (por Ricardo Guedes)

Bolsonaro dificilmente se reelege. Pegou o PIB em USD 1,9 trilhões em dólares correntes em 2018 deixando em USD 1,3 trilhões em 2022

atualizado 01/07/2022 12:20

Igo Estrela/Metrópoles

A escolha do Ministro Braga Netto como vice na chapa de Bolsonaro representa a expectativa na derrota pós-eleitoral do link com as Forças Armadas para a eventual tentativa da quebra da ordem institucional.

Eram duas as opções que se apresentavam para Bolsonaro. A primeira, a da Ministra Tereza Cristina, opção eleitoral, visando o maior voto no eleitorado, do agronegócio ao empresariado, na tentativa de resultados que pudessem possibilitar sua ida para a 2º turno, e, quem sabe, sua pretendida vitória. Mas a economia encontra-se destrambelhada, junto com tantos outros erros, inviabilizando sua recuperação eleitoral.

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A segunda, a do Ministro Braga Netto, sem representatividade eleitoral, mas, na percepção de alguns atores, como vínculo de Bolsonaro junto às Forças Armadas no caso de derrota eleitoral e tentativa de invalidação de seus resultados visando à manutenção do poder. Trump assim agiu, não reconhecendo as urnas e tentando coagir o Congresso com à invasão do Capitólio e ações judiciais. O importante desta decisão de Bolsonaro é que a campanha percebe seus limites eleitorais, optando pelo extremo das decisões.

Bolsonaro dificilmente se reelege. O governo pegou o PIB em USD 1,9 trilhões em dólares correntes em 2018 deixando em USD 1,3 trilhões em 2022, da 9ª para a 13ª economia do mundo. Nas Pesquisas ISTOÉ Sensus, a corrupção é percebida como tendo aumentado no governo Bolsonaro em relação aos governos passados por 42%, contra 36% que acham que não. A democracia no país está ameaçada para 69%, e 89% acham importante sua preservação. No COVID, o Brasil com 2,7% da população do mundo apresenta 10,6% dos óbitos mundiais. O Auxílio Brasil mingua perto do que foi o Bolsa Família. A possível instalação da CPI do MEC no Senado irá minar ainda mais a imagem do Governo.

O eleitor já decidiu como estratégia o voto em Lula e Alckmin para retirar Bolsonaro via eleitoral, no recall positivo do governo Lula e para a maior estabilidade do país, principal razão para o não crescimento das 3as vias.

No período eleitoral e pós-eleitoral, o país caminha para a conturbação. Pesquisas nacionais feitas pela Sensus para o Exército Brasileiro, entretanto, mostram que o corpo das pessoas físicas da corporação e a população brasileira pensam de forma semelhante, posto ser o Exército uma amostra da população. Em sua maior tendência, as Forças Armadas são legalistas, já tendo manifestado em várias instâncias o reconhecimento dos resultados por vir.

Poderemos ter conturbações em setores localizados e milícias, ao estilo Trump. Pode-se delinear o cenário de conturbações em torno do Palácio do Planalto em 1º de janeiro. Teremos uma prévia no 7 de setembro. O Brasil, este ano, comemora os 200 anos de nossa independência. Que o 7 de setembro seja uma página de glória, e não de inglória do oportunismo eleitoral.

O STF continua a cumprir sua missão constitucional.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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