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O porquê da definição do voto (por Ricardo Guedes)

No governo Bolsonaro, observou-se a derrocada da economia e a ameaça contínua à democracia

atualizado 01/10/2022 0:48

São duas as principais variáveis da definição do voto nestas eleições presidenciais: a economia e a democracia. A eleição tornou-se plebiscitária em torno da permanência ou não de Bolsonaro à frente do poder. Lula, com recall mais positivo de seu governo do que Bolsonaro, tanto na economia como na manutenção da democracia, foi percebido como o candidato ideal, dentro das alternativas existentes, para derrotar Bolsonaro. A aliança de Lula com Alckmin estendeu o espectro político, inviabilizando alternativas de 3ª via.

No governo Bolsonaro, observou-se a derrocada da economia e a ameaça contínua à democracia. Na economia, o PIB caiu de US$ 1,9 trilhões em 2018 para US$ 1,6 trilhões em 2021. Na democracia, os episódios de 7 de Setembro do ano passado, da convocação dos embaixadores estrangeiros para denegrir as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro, e do 7 de Setembro deste ano, foram os turning points para a firmeza da decisão do eleitorado brasileiro. Bolsonaro ganhou rejeição por estigma, pelo que não fez na economia, e pelo que queria fazer na democracia.

Nas pesquisas Sensus, o Brasil é considerado como estando no rumo certo por somente 26% do eleitorado, a economia por 21%. A democracia é vista como sob ameaça por 69%, e como valor a ser preservado por 89%.

Desde o início do ano, a diferença entre Lula e Bolsonaro na série das pesquisas presenciais tem se mantido constante, na casa de 12%, indicando a definição do voto. No período eleitoral, a média tem sido mantida na casa de 45% para Lula contra 33% para Bolsonaro, com a diferença aumentando relativamente neste final do 1º turno. Em Minas Gerais, o estado swing state por excelência desde 1950, onde quem ganha no Brasil ganha em Minas Gerais e vice-versa, a diferença tem sido mantida constante na casa dos 14%, com tendência de relativo acréscimo para Lula nesta reta final.

Outras variáveis são também importantes. Nas pesquisas Sensus, 65% acham que Bolsonaro não lidou adequadamente com a crise do COVID. Com 2,7% da população mundial, tivemos 10,5% do total dos óbitos do mundo. A corrupção tem aumentado para 57%. A educação tem piorado para 52%. Na área cultural, Bolsonaro ataca os artistas, os jornalistas, os intelectuais. Desconsidera e desrespeita as mulheres. Nas relações exteriores, 62% acham que a imagem do Brasil no exterior piorou com Bolsonaro. Na ecologia, a política para a Amazônia é desastrosa. E voltamos ao Mapa Mundial da Fome da ONU, com 61 milhões em dificuldade alimentar, e 15 milhões passando fome.

Não tem como Bolsonaro se reeleger. A eleição presidencial será decidida em 1º turno, imprevisível, mas possível, ou em 2º turno, certamente. A não ser por fato extra eleitoral.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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