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Novo governo: transição para novos rumos (por Eduardo Fernandez Silva)

A equipe do novo governo Lula já deveria pensar não só em 2023, mas também 40, 50 anos à frente

atualizado 28/11/2022 23:52

Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva chega ao STF para reunião com a Ministra Rosa Weber em Brasília. Na foto, ele cumprimenta dois homens - Metrópoles Breno Esaki/Especial Metrópoles

Por maior que venha a ser a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro no novo governo, quatro anos não serão suficientes para alcançar, como desejamos e como quer o admirado Richarlison, “dignidade e igualdade para todos”. Daí que, desde o primeiro dia após a eleição, a equipe do novo governo já deveria pensar não só em 2023, mas também 40, 50 anos à frente, e dar os primeiros passos para construir o Brasil pós 2050! Como estruturar as bases para que, então, tenhamos claramente superado a dupla degradação hoje em curso, a do ser humano e a da biosfera?

Nos últimos poucos séculos, houve inquestionável melhoria na qualidade de vida de grande número de humanos, ao custo de enorme degradação da biosfera e extinção de espécies. Aumentou a sobrevivência dos bebês, pessoas vivem mais, mais humanos sabem ler e escrever, agora temos anestesia mas, ainda hoje, cerca de 70% vivem com menos de US$10,00/dia. Isso significa, para esses 70%, ausência de direitos fundamentais tais como segurança alimentar, o de ir e vir, o de criar filhos com qualidade de vida, e ainda, salvo raras exceções, a chance de se aprimorar como pessoa cidadã! É esse o mundo que gostaríamos de deixar aos nossos filhos e netos? Para vivermos de forma realmente democrática, há que assegurar esses direitos a todos e todas.

Como?

O caminho se faz ao caminhar, mas há diretrizes claras. Tornar progressivo o sistema tributário, dar prioridade ao transporte coletivo e não ao individual, dar preferência à saúde preventiva sobre a curativa (que também carece de atenção), educação de base, com apoio no desenvolvimento da ciência e da tecnologia, renda mínima garantida a todas e todos e, entre muitos outros objetivos comuns – por exemplo, reduzir a geração de lixo, eliminar a disposição inadequada de dejetos, ampliar a vida útil dos produtos – possibilitar maior diversidade federativa, incentivando a criatividade e abordagens diferentes para alcançar os objetivos comuns. Incluir ainda, entre estes, reduzir a diferença de qualidade e de estilo de vida entre governantes e governados e promover dietas saudáveis e ambientalmente seguras.

Enfim, construir uma nova sociedade, livre de preconceitos e que valorize a cooperação, muito mais que a competição. Alterar o curso da história para evitar o rumo suicida a que a humanidade foi induzida pelas práticas hoje quase universais, as quais nos deram a anestesia e outras coisas boas, mas o fizeram ao custo de destruir a biosfera ao ponto de comprometer a maioria das formas de vida, e que não foram capazes de dar vida digna à 70% dos humanos!

Tarefa, certamente, para mais de um governo, mas as longas caminhadas começam, sempre, pelos primeiros passos! A ousadia de alterar práticas políticas tradicionais, que nos levaram à situação atual, é necessária para construir a vida digna de nossos filhos e netos, tarefa maior de qualquer governante!

 

 

Eduardo Fernandez Silva. Mestre em Economia. Ex-Diretor da Consultoria legislativa da Câmara dos Deputados

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