Acordos Políticos e Voto Majoritário (por Ricardo Guedes)

Acordos políticos não geram transferência de voto em eleições majoritárias, como em eleições para Presidente da República

atualizado 23/07/2021 4:28

Urna Metrópoles

É verdade que acordos políticos no Congresso são necessários para a governabilidade do Executivo. Isto é válido não somente para o Brasil, mas para todos os países do mundo. A questão é a moeda de troca em cada apoio, o que o Governo dá e o que o Governo recebe do Congresso. No Parlamentarismo Inglês, o apoio que o Governo recebe depende das posições políticas e das políticas econômicas e sociais que o Primeiro Ministro propõe e implementa. Nos Estados Unidos, o mesmo ocorre no Congresso, assim como na maioria dos países Europeus e na Escandinávia. No Brasil, a moeda de troca é a própria moeda, representada por recursos e benefícios aferidos por parte dos Congressistas, em uma troca utilitária que pouco representa os interesses do cidadão.

Pesquisas Nacionais da Sensus mostram que, as instituições sociais no Brasil, incluindo os três níveis de Governo, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais, Vereadores, associações patronais, sindicatos e organizações religiosas, transferem, em seu conjunto, somente cerca de 15% do total dos votos em eleições majoritárias, não mais.

Os mitos se sucedem, mas não prosperam.

Os evangélicos, por exemplo, chegam hoje a cerca de 30% da população brasileira. Pastores e donos de templos, entretanto, transferem somente 3% dos votos totais dentro do eleitorado. O eleitorado restante vota segundo seus próprios interesses e percepções, na escolha de seus candidatos, que podem ser ou não coincidentes com as orientações das autoridades religiosas. Por isso, os quadros políticos mudam, sem a estabilidade contínua das instituições. Às vezes, elites políticas vendem mais do que podem, e entregam menos do que devem. E o equilíbrio instável no Congresso se segue.

Bolsonaro se estabiliza hoje temporariamente no Congresso, em uma relação utilitária de troca, sem que isto resulte necessariamente em votos nas eleições presidenciais de 2022.

Difícil a situação eleitoral de Bolsonaro, com somente ¼ de apoio da população e mais de 50% de rejeição no eleitorado, com possível rejeição crescente devido à sua plataforma radical, erros na condução do Covid, a crise hídrica que se instala com pressão sobre os preços, e entrega pífia na economia, com indicadores estatísticos não suficientes para a sua reeleição.

 

 

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

Últimas do Blog