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A necessidade de um plano econômico (por Ricardo Guedes)

É estranha a posição do Banco Central na manutenção da taxa de juros em 13,75%, impeditiva ao desenvolvimento

atualizado 24/03/2023 0:47

Imagem colorida mostra que Lula participa de reunião ministerial no dia 14 de março de 2023 - Metrópoles Reprodução/YouTube

Não há saída fora da macroeconomia. O bem social somente pode ocorrer quando a economia se desenvolve para toda a sociedade. As políticas setoriais, ou para grupos específicos, se encaixados dentro de uma política macroeconômica concisa, podem funcionar. Políticas setoriais desconcatenadas de uma concepção macroeconômica, tendem a dar errado.

Na America Latina, assim como no Brasil, podemos dizer que a economia está hoje relativamente balcanizada. Em artigo recente, Everardo Maciel diz que os “setores (hoje) não apenas postulavam a redução de sua carga tributária, mas pretendiam aumentar a carga de outros. Os projetos de reforma se transformaram em exercícios de predação, inclusive entre os entes federativos”.

Os países que deram certo são ancorados em políticas macroeconômicas. Os Estados Unidos se ancoram no mercado, adicionado a políticas Keynesianas e de regulamentação do setor financeiro. Nas Social-Democracias, como nos Países Nórdicos, a economia se baseia no pacto político da aplicação de parte do PIB a programas sociais e aceitação dos trabalhadores das regras sociais, dentro da responsabilidade fiscal.

No Brasil, Fernando Henrique implementou o Plano Real, que estabilizou a moeda com efeitos redistributivos, no ajuste progressivo dos agentes econômicos e dos grupos sociais. Lula, em seu primeiro governo, implementou política de crédito para o setor produtivo devido à então ociosidade na indústria em conjunto com programas sociais, com o aumento da produção e da demanda levando ao crescimento do PIB e à distribuição de renda, dentro dos limites da responsabilidade social. Pode haver expansão da base monetária, desde que acompanhada da geração de produto correspondente.

Lula foi eleito em 2022 por três motivos, a manutenção da democracia, probidade administrativa e para a recuperação da economia. É verdade que não tem sido fácil o início do Governo Lula, devido ao legado de Bolsonaro e tendo que lidar politicamente com a tentativa de Golpe de Estado ocorrida no país, o que gasta esforços. E é estranha a posição do Banco Central na manutenção da taxa de juros em 13,75%, impeditiva ao desenvolvimento. O Brasil, entretanto, espera por um plano econômico. O regramento de arcabouço fiscal e a reforma tributária são, sem dúvidas, necessárias, mas não suficientes.

É nítida a relação entre o PIB e as eleições. Quando o PIB sobe, o governante se reelege ou faz o seu sucessor. Quando o PIB não cresce, o governante não se reelege nem faz o seu sucessor. Ou Lula tem sucesso na política macroeconômica, que resulte no benefício a todos, ou cairemos novamente em área de indeterminação política nas próximas eleições. As democracias têm que funcionar, com o fascismo crescente no vácuo da inoperância democrática.

Falta um plano econômico ao Governo Lula, ainda a tempo.

Ricardo Guedes é Ph.D. pela Universidade de Chicago e CEO da Sensus

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