Blog com notícias, comentários, charges e enquetes sobre o que acontece na política brasileira. Por Ricardo Noblat e equipe

18 anos Blog do Noblat

A direita brasileira saiu do armário (por Felipe Sampaio) 

Ultimamente, a direita mundial volta à superfície, em torno de figuras como Berlusconi, Putin, Trump, Le Pen ou Giorgia Meloni.

atualizado 29/09/2022 0:03

Direita Reprodução

A diversidade é indispensável em qualquer área das relações humanas, especialmente na política. Afinal, “a luz do sol é o melhor desinfetante”.

O governo Bolsonaro não inaugurou a direita no Brasil (a rigor, nem a representa), mas possibilitou seu ressurgimento como segmento legítimo da sociedade brasileira.

Na verdade, nossa República já nasceu ‘de direita’. Afinal, a deposição do Imperador por um marechal não resultou de nenhum movimento iluminista, tampouco popular.

Um século depois, por ocasião da redemocratização, o hemisfério direito da política nacional abrigou-se em partidos de siglas republicanas, liberais, cristãs, nacionalistas ou mesmo democratas, nas quais coubessem seus valores conservadores.

Nesse cenário, após 1985, enquanto os políticos de direita se refugiavam entre a bíblia, o economês e outros eufemismos, os cidadãos simpatizantes da direita ficaram órfãos de uma representação eleitoral clara.

Não é à toa que esses eleitores tenham guardado os militares como derradeira lembrança de família, religião, costumes e pátria (e que adotem como símbolo… a camiseta da CBF!).

A dificuldade em se assumir de direita não foi exclusiva dos políticos brasileiros. Após a II Guerra Mundial, por exemplo, aconteceu o mesmo na Europa, onde o Fascismo havia deixado uma memória vergonhosa.

Ultimamente, a direita volta à superfície, em torno de figuras como Berlusconi, Putin, Trump, Le Pen ou Giorgia Meloni. Esta, por exemplo, até tenta se repaginar, declarando simpatia por Mussolini e pela democracia ao mesmo tempo.

No Brasil, desde 2018, eleitores do universo Bolsonaro desabafam: ‘antes, tudo que a gente dizia era visto como feio ou errado, agora não temos vergonha de falar’.

Isso é bom. Já era hora de os políticos da direita brasileira assumirem abertamente seu compromisso com os costumes e as expectativas conservadoras do seu eleitorado (até no Galo da Madrugada se sabe que “o frevo, quando é bom, vem de frente”).

No cenário polarizado de 2022, bolsonaristas ainda chamarão os opositores de comunistas e os lulistas xingarão os adversários de fascistas. Mas são como arroubos de futebol, que não podem ultrapassar o ‘clima emocionado da campanha eleitoral’.

Entre tantas ideologias, é preferível que os diferentes cidadãos e seus representantes se expressem claramente, dizendo quem são e em que acreditam. É um direito universal, excluídos os atos antidemocráticos, discriminação, fake news… e passar boiadas.

Assim, a própria disputa política fica mais justa e verdadeira. O futuro se constrói com diálogo e tolerância entre todos (e o Brasil está ficando pra trás).

 

Felipe Sampaio: ex-assessor especial dos ministros da Defesa (2016-2018) e da Segurança Pública (2018); foi secretário-executivo de Segurança Urbana do Recife; colabora com o Centro Soberania e Clima.

Últimas do Blog