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A história de Andrea Natal se mistura à crônica diária oferecida pelo Copacabana Palace. O “Copa”, apelido que o hotel mais famoso do país ganhou dos cariocas, é seu quartel-general e CEP. Com vinte anos de casa, a diretora-geral vive no próprio hotel e acumula funções. Não é exagero dizer que ela sabe de absolutamente tudo o que acontece por lá.

Experiente quando o assunto é hotelaria de luxo, Andrea esteve em Brasília para estreitar os laços com os clientes da capital. Por aqui, bateu um papo com o Metrópoles sobre os novos rumos do mercado hoteleiro de nicho, a fama do Réveillon do Copa e o Baile de Carnaval que abre a folia carioca e arrasta celebridades internacionais. Confira:

Luxo histórico

Com 93 anos de serviço, 239 quartos e uma suíte-cobertura que pode custar R$ 14 mil por dia, o hotel nasceu predestinado ao luxo. “Somos o único hotel-palácio no Brasil. Tivemos o Glória, também no Rio de Janeiro, mas não sabemos o destino que aquele projeto vai tomar. Por enquanto, a gente reina na Praia de Copacabana”, avalia.

O Copacabana Palace foi o sonho de um brasileiro visionário e bon vivant, chamado Octávio Guinle. Ele ergueu o empreendimento em uma região em que não havia hotéis atendendo um convite para inaugurar hospedagens em frente ao mar. Sua única condição para realizar o feito foi ter um cassino. O pedido foi aceito, os jogos chegaram e o Copa se tornou o ponto mais glamouroso da então capital nacional.

Com o mundo todo ansioso para conhecer o Rio de Janeiro, o Brasil e a praia de Copacabana, o Palace recebeu visitas ilustres de gente como Nat King Cole e Yves Montand, que passaram temporadas no Golden Room. A francesa Brigitte Bardot circulou pela cidade anônima, até ser descoberta e se deixar fotografar na varanda do hotel.

“Naquela época o banho de mar não era visto como o que é hoje. As pessoas tinham uma preocupação com o sol e a água salgada era utilizada apenas para realizar tratamentos medicinais. Foi uma francesa que em uma de suas viagens vestiu um maiô, foi tomar banho de mar e causou um escândalo. Aquele foi o start para os cariocas perceberem o mar como lazer”, explica Andrea.

Ainda sobre os Anos 20, a diretora conta que as pessoas não se hospedavam apenas duas noites, como é a média de permanência atual. “Famílias e casais chegavam com babás e motoristas e ficavam no hotel durante um mês.”

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Sofisticação contemporânea

Andrea conta que essa é sua segunda temporada dentro do hotel. A primeira foi na década de 1980. Saiu para ter novas experiências e voltou com olhar renovado.

Ela revive suas memórias ao falar do luxo através das décadas. “A hotelaria antiga se inspirava muito nas companhias aéreas. Não é exagero dizer que o sistema hoteleiro de informática é uma cópia do utilizado por essas companhias. Foram elas que criaram a famosa “sala vip” e os hotéis reproduziram; elas que inventaram a Classe Executiva e a hotelaria copiou, dentro do formato do Andar Executivo ou até do Imperial Floor.”

No Brasil, houve uma onda de hotéis 5 estrelas na década de 1970. “Todo hotel tinha que ter uma Suíte Presidencial para agregar valor. E em determinado período o bacana era ficar hospedado com vista para o mar – as tarifas eram todas pautadas por esse fator, enquanto hoje há pessoas que buscam regiões como Santa Tereza, mais intimista e cercada de verde. De 15 anos para cá surgiram os hotéis-design e as opções que carregam o selo “boutique”.

 

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Fachada na praia de Copacabana

Essas mudanças foram alguns destaques que marcaram a hotelaria premium no país, mas a diretora sabe que o luxo, como todas as outras coisas, também vem sendo atualizado. “Já não uso a palavra luxo para falar do universo que oferecemos no Copacabana Palace. Isso fez parte de uma época que passou. Hoje, estamos mais preocupados em proporcionar bem estar”, pontua.

Ela acredita que, com perfis tão diversos entre os hóspedes, um dos desafios constantes dentro do hotel é oferecer conforto e atingir expectativas mesmo com gostos diferentes. “Somos 670 funcionários que não vivem apenas de glamour e a gente não é museu, mas entendo que quem vem ao Copa espera viver alguma sensação relacionada a esse passado sofisticado. Ao mesmo tempo também temos hóspedes que vão para o hotel para relaxar na piscina, beber uma cerveja super gelada comendo um bolinho de bacalhau e isso é luxo para eles. A verdade é que a gente se esforça para trazer a carioquice despojada típica para dentro do hotel, mas sem ser “carioca demais”.

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Lobby do hotel

Réveillon do Copa

Ano após ano, grupos de brasilienses endinheirados reservam os dias de festa no Ano Novo para se hospedar no Copa e assistir à queima de fogos do réveillon do ponto privilegiado. “A nossa enorme varanda atua como camarote para o espetáculo que toma conta da praia. É possível conferir todo o movimento do Leme ao Posto 6 com o máximo de conforto. Se o hóspede preferir, pode trocar os sapatos, descer até a praia, pular umas ondinhas e voltar ao hotel para continuar degustando caipirinhas e muito champanhe. Dentro do hotel nós temos três festas rolando ao mesmo tempo: na Pérgula, no Cipriani e no Golden Room. Temos desde orquestra a DJ com funk. A festa segue até às 6h, com café da manhã, e aquela energia de ano novo, vida nova”, conta.

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Piscina

Carnaval no Copa

Andrea explica que os públicos do Ano Novo e Carnaval são diferentes. A festa começa no sábado de Carnaval quando rola o Baile do Copa. Eles já organizam os preparativos para realizar a 24ª edição do evento. “Sempre elegemos temas e rainhas diferentes e eu me envolvo bastante. Adoro. Já convidei Marina Ruy Barbosa, Luiza Brunet, Grazi Massafera, Luana Piovani, Narcisa Tamborindeguy, Sheron Menezes, Guilhermina Guinle e Cris Vianna”, diz, animada.

Entre os habitués da festa, o designer Christian Louboutin; o ator Vincent Cassel e Quincy Jones. “Já recebemos também o estilista Valentino, o ator Gerard Butler e a atriz Monica Bellucci”, pontua. Aos seus olhos, o baile tem um toque de “Cirque du Soleil misturado com referências criativas, chiquérrimas e todo o savoir-faire do Carnaval carioca visto na Marquês de Sapucaí”.  “É uma coisa meio contagiante e as pessoas se jogam. Se liberam mesmo e soltam os bichos”, analisa.

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Andrea com Sabrina e Rodrigo Santoro, habitués das festas do Copa



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