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Um novo elemento parece ter se juntado ao ritual de saúde propagado por musas fitness e gente natureba do Instagram. Depois do café com óleo de coco, da água morna com limão e dos “shots” que combinam uma lista de ingredientes logo pela manhã, chegou a vez do extrato de própolis.

Mas não aquele açucarado que sua mãe empurrava (literalmente) goela abaixo ao menor sinal de dor de garganta. A “nova” versão vem pura, em conta-gotas, e promete uma série de benefícios para a saúde e a recuperação de atletas. A modinha da vez, no entanto, tem mesmo o aval de especialistas.

O maior dos benefícios está ligado ao processo de detoxificação do organismo. Não confundir com aquele suco verde que você bebe após devorar uma pizza. As propriedades do composto ajudam o corpo a eliminar metais pesados acumulados pelo uso de agrotóxicos ou pela poluição do ar.

“O própolis favorece o aumento da molécula glutationa, que é importante tanto no processo de detoxificação quanto para o estresse oxidativo do corpo. Além disso, ele é rico em flavonoides, que atuam em outra fase dessa limpeza”, explica Hayanne Rolim, nutricionista esportiva funcional.

Combinado a especiarias como açafrão e pimenta, nos tais “shots” matinais que andam em alta, o extrato ainda ganha efeitos anti-inflamatórios e termogênicos extras. “É um suplemento muito saudável e fácil de introduzir na rotina”, defende a nutricionista Cíntia Sousa, da Nutricionistas & Funcional.

Achou pouco? As especialistas consultadas listam todos os motivos para você aderir ao tal líquido:

Qual usar?
Incluir o própolis é simples e complexo ao mesmo tempo. Isso porque, na prateleira da farmácia, é provável que você se depare com vários tipos e nomes diferentes: extrato verde e vermelho, com ou sem álcool. E aí, qual escolher? De acordo com as nutricionistas, todos têm benefícios, mas algumas especificidades podem ser determinantes na hora da escolha, como idade e objetivos.

“O extrato de própolis verde é retirado do alecrim e tem uma quantidade grande de artepelim C, que é super anti-inflamatório”, comenta Hayanne Rolim. “Para quem tem inflamação crônica ou artrite reumatoide, é muito bom”, complementa. Já o vermelho, é mais rico em substâncias antioxidantes, porque tem mais flavonoides. “As duas são boas. Uma dica é alternar o uso de um e de outro ou combinar algumas gotas de cada um deles para se obter os benefícios dos dois tipos”, ensina a especialista.

Os extratos aquosos, sem álcool, são menos concentrados e indicados para crianças, gestantes ou pacientes com alguma restrição ao álcool. Ele tem um sabor mais ameno, mas como é menos concentrado que a versão alcoólica, Hayanne recomenda uma quantia um pouco maior. “Se do alcoólico usamos entre 10 e 15 gotas, do aquoso a quantidade fica entre 20 e 30 gotas”, ensina.


Como usar?

O mais comum é que ele seja consumido em jejum, pela manhã, ou antes de se deitar, pela noite. Os benefícios são distintos: à noite, melhora a qualidade do sono. Pela manhã, além dos benefícios para a saúde trazidos pelas vitaminas e substâncias, desenvolve a microbiota intestinal.

Ela frisa que a dosagem, no entanto, deve ser ajustada por um profissional. “A dosagem é individual, assim como o tempo de tratamento e possíveis contraindicações. Além disso, o uso de própolis não deve ser contínuo, pois pode causar toxicidade ao fígado”.

Hayanne Rolim lembra que, como o extrato é concentrado, deve ser consumido diluído em água, para não machucar a mucosa da boca. E um aviso: o sabor é forte. Por isso, vale combinar a sucos de frutas para disfarçar o amargo. “Gosto do de limão, maracujá ou acerola porque não são muito concentrados em carboidratos. Numa situação de gripe, associá-lo a fontes naturais de vitamina C também pode ajudar a amenizar os sintomas. Ou ainda com chás ou água pura”, recomenda.



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