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Eliane Dias, de 46 anos, é advogada e uma ativa defensora dos direitos das mulheres negras. Foi faxineira, babá e modelo. Tropeça no machismo em seu cotidiano, a exemplo de quando é anunciada apenas como “a mulher do Mano Brown”.

Aos 23 casou-se com o vocalista do grupo Racionais, a quem se refere como Pedro Paulo, o nome de Brown na certidão de nascimento. A ‘primeira dama do rap’, como é apelidada pelos fãs, vive um relacionamento pautado em conflitos de gênero, segundo compartilhou com a revista Marie Claire.

Consciente e livre isso que irrita. #negras #8M

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Há 25 anos convivendo com Mano Brown, ela relata na entrevista divulgada nesta quinta-feira (9/3) um dos episódios que marcou sua vida, em 2002, quando o marido a impediu de viajar com a banda para os Estados Unidos pelo simples fato de ser mulher.

“Um dia ele chegou e falou: ‘Você não vai mais. O Primo [Preto, empresário musical e amigo de Mano Brown] disse que não é legal ir mulher’. Respondi: ‘Tá bom, vai lá’. Ele perguntou: ‘Você não vai brigar? Vai me trair?’. Falei que não, que quando ele voltasse tudo estaria melhor. Achei um desrespeito muito grande. Me deixou ferida mortalmente. Na volta, um mês depois, tinha me matriculado em um cursinho pré-vestibular. Disse para ele: ‘Não viajo nem me divirto com os Racionais. A banda agora vai ter que me dar a faculdade’. Ele pagou a Universidade Municipal de São Caetano – eu estava sem trabalhar havia seis anos, cuidando da casa e dos filhos. Depois que me formei e tirei a carteirinha da OAB, trabalhei em um escritório. Ganhava muitíssimo bem, quase R$ 5 mil por semana”, disse.

A relação, entretanto, persiste. “A gente trabalha juntos, cria os filhos. Mas não somos amigos, somos marido e mulher. Eu o amo. E ele, mesmo com seu jeito bruto de ser, tem um cuidado especial comigo. É só seu jeito de amar”, afirmou.

A mulher negra é vista com desconfiança. Em todos os meus trabalhos, quebrei esse estereótipo e deixei a porta aberta para outra negra ocupar o lugar"
Eliane Dias


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