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Design se confunde com arquitetura a todo momento. E para o designer Bruno Faucz, 30, expoente da nova geração de designers brasileiros, o momento do design é de sinergia. “Todo o universo criativo conversa de alguma maneira. Da moda à marca de automóveis”, diz.

A convite da marca Saccaro, especializada em mobiliário, o designer criou a cadeira Patagônia. A peça é o start de uma linha autoral que será lançada nos próximos meses. A coleção terá itens como poltrona, aparador, banco e mesas. Em Brasília para falar sobre esse momento, o designer bateu um papo com o Metrópoles. Confira:

O que você gosta de seguir nas redes sociais quando o assunto é design e arquitetura?

Mauricio Arruda, do programa Decora GNT, tem soluções simples e de bom gosto; Marcelo Rosenbaum segue a mesma linha; Ronald Sasson é um designer do qual sou fã e sei que a admiração é recíproca; o perfil da editora da Casa Vogue, Regina Galvão, é muito interessante porque ela entende profundamente do assunto; a arquiteta Bárbara Dundes tem um trabalho jovem e bem consistente; Zanini de Zanine é uma referência, assim como o Jader Almeida.

Também gosto bastante do perfil Misshattan porque sou apaixonado por Nova York e o lifestyle cosmopolita da cidade é uma inspiração constante.

Felipe Menezes/Metrópoles

Você completa 30 anos em 2016. O que o design representa para a sua geração?

Acho que essa geração se descolou um pouco daquele conceito de design ser arte. Também tenho a sensação de que a gente não entende design como algo que é puro luxo. Mas acima de tudo, percebo o design como uma necessidade. Algo que deixa a vida mais interessante e mais confortável independente de classe social. Saber que um produto foi pensado para você usufruir o máximo dele é algo que me motiva.

Felipe Menezes/Metrópoles

Seu designer estimula o tato com mix de diferentes materiais, entre eles o couro, metal, madeira e tecido. Se sente realizado ao ver seus móveis integrados a projetos de decoração?

Demais. O meu objetivo final é estar dentro da casa das pessoas. Acho incrível ver um projeto de um arquiteto que tem peça minha. Saber que o que um dia era uma ideia rabiscada numa folha de papel vira uma peça que encanta a vida das pessoas diariamente. Essa conquista é mais legal do que sair na revista ou do que ganhar o prêmio internacional.

Sabe, gosto de me desafiar e produzir a partir de referências que não necessariamente estão presentes em coisas das quais gosto. Por exemplo, o mundo do hipismo é algo que me inspira. É refinado e bem distante da minha vida. As selarias, fivelas e amarrações típicas do esporte serviram como ponto de partida para criar a cadeira Cavaleira.

O cobre, como você falou, também é um recurso com o qual gosto de trabalhar. Apesar de ser metal, e por isso ser frio, tem uma coloração quente que ilumina. O contraponto do cobre com madeira me instiga muito. Acredito que são esses detalhes que fazem nosso olhar passear pela peça.

Se pudesse escolher qualquer lugar no mundo para ver uma de suas peças, qual seria?

Gostaria de ver uma peça minha num loft super cool de Manhattan, em Nova York. Isso seria sensacional.



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