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Texto: Thaís Antônio

Pedrinho,

Quando li as primeiras cartas que você escreveu para os seus filhos, fiquei paralisada. São textos de uma conexão imediata com o outro, como se cada carta ali pudesse alcançar diferentes emissores e receptores. Cada carta poderia ser de mim para alguém e também me sentiria apta a recebê-la sem sequer perceber que eram endereçadas a crianças. Universalidade. É essa a palavra que define o conteúdo dos textos tão ricos. Aliás, o nome do projeto, Do seu pai, também é cheio de poesia.

Aí descobri que você também brincou com as palavras numa proposta que eu já tinha visto na internet, mas que não sabia que era sua, a Loja de Histórias, em que as pessoas te enviavam uma foto e você devolvia com um conto ficcional, sem saber nada daquela imagem.

Sei que o projeto tomou uma proporção que você não imaginava quando o lançou nas redes sociais e que recebeu 12 mil fotos. Não deve ter sido fácil selecionar as 600 que ganharam textos. Achei muito interessante você ter honrado o compromisso de se manter disponível para as pessoas que toparam participar. E achei incrível você ter respondidos a todos, repito, a todos os e-mails. O total de 25 mil e-mails trocados em um só projeto me parece muita coisa.

Emília Silberstein/Divulgação

E tem ainda aquele outro projeto, A olho nu, em que de forma bela e natural você e outras fotógrafas escreveram, com imagens e textos, a história de mulheres lindas que se empoderaram frente às lentes da câmera. E tem a música, e as consultorias, e a agência que você criou com os amigos.

Sei que seu afã de fazer o mundo melhor te levou a embarcar também em outras viagens. Todas com uma singeleza que deixa fácil perceber ali, na verborragia doce com que você se expressa, como as coisas precisam fazer sentido para você.

Adorei a parte em que me contou que tinha dificuldade em arrumar uma função para te definir. Foi assim que começou a nossa conversa. Eu perguntando como te creditar e você abrindo o leque de razões para não se encaixar em palavras ou em papéis. Não à toa, apesar da formação em publicidade, já brincou de ser costureiro, coveiro e pintor naquelas fichas de hotel.

– A minha ocupação não era estar sentado ali na agência fazendo campanha. Enquanto eu estava lá sentado tentando fazer alguma coisa, eu estava muito mais preocupado em saber como é que comunicação pode ser uma coisa relevante de verdade, não algo que só leva a gente à permanência, a deixar as coisas como estão.

Quer ler o texto completo? Acesse Projeto Lupa e confira na íntegra a história de Pedrinho.

O Projeto Lupa reúne depoimentos e fotos de profissionais ligados à arte de contar histórias. O site apresenta escritores, jornalistas, roteiristas, contadores de histórias, dramaturgos, redatores publicitários, letristas musicais, que têm algo em comum: a paixão pelas palavras.



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