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Em média, um em cada quatro brasileiros possui seu próprio negócio, segundo dados de 2015 da Global Entrepreneurship Monitor (GEM). No ano passado, a taxa de empreendedorismo no país foi de 39,3%, de acordo com o estudo, o maior índice dos últimos 14 anos. É quase o dobro do registrado em 2002 (20,9%). Nesse universo, há 8 milhões de mulheres com empresas ou microempresas registradas com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.

Estima-se ainda que, sem o CNPJ, existam um total de 22 milhões de mulheres donas de seus próprios negócios no país. Os dados foram apresentados no evento #ElaFazHistória, promovido pelo Facebook e Instagram em Brasília na última quinta-feira (15/9).

“Os dados apontam ainda que as mulheres empregam mais que homens, quando em posição de chefia. Isso porque são mais inovadoras, criativas e encorajam mais a diversidade”, explica a porta-voz do Facebook Cadija Tissiane.

O projeto nasceu da equipe do Facebook no Brasil em parceria com o Think Olga. “Pensamos: como vamos discutir a necessidade do empoderamento feminino dentro do empreendedorismo no Brasil? Como levar para o Brasil a quantidade de exemplos de mulheres incríveis que temos a sorte de ter contato?”, questinou Cadija Tissiane. “Perguntamos para as moças do Think Olga o que elas sugeriam. A partir disso, encontramos uma forma de inspirar pessoas, contribuir para essa discussão e se engajar.”

A ideia nasceu da necessidade de sair do campo da capacitação e alcançar mulheres com histórias reais de luta dentro de um mundo patriarcal. “Dessa forma, vimos o projeto tomando forma, ativistas se engajando, nossas parcerias se formando”, continua Cadija.

No último ano, o número de páginas coordenadas por mulheres no Facebook dobrou. Entretanto, ainda há muito para trilhar na busca por equidade de gênero. Segundo dados da ONU, estima-se que somente em 81 anos seremos capazes de encontrar a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho.

Mais de 90% das mulheres empreendedoras ainda fazem dupla jornada de trabalho: dentro e fora de casa. A palestrante Ana Carolina Querino, gerente de programas da ONU Mulheres, apresentou um gráfico que aponta que, entre 2004 e 2014, a média de horas gastas em afazeres domésticos foi de 22 horas pelas mulheres, contra 10 horas dos homens.

O Centro-Oeste é um dos estados com mulheres coordenando empresas. Em 2010, 7 mil micro e pequenos negócios foram abertos pelo público feminino. Já em 2014, este número cresceu para 40 mil.

Desafios

Segundo dados do IBGE – PNAD (2004-2014) apresentados pela gerente de programas da ONU Mulheres, Ana Carolina Querino, uma mulher recebe cerca de 70% do salário de um homem para realizar a mesma função.

Divulgação

A gerente de programas da ONU Mulheres, Ana Carolina Querino

Além dos desafios financeiros e econômicos, o Brasil continua na 5ª posição mundial de feminicídios. “Uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica. Este é um número que precisamos mudar”, completa Ana Carolina.

Buscando reduzir os 81 anos estimados para alcançar a igualdade, a ONU criou a “Agenda 2030”. “Esta agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhecemos que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.”

Divulgação/ONU
A gente precisa ir atrás e conquistar espaço. Quando a mulher ganha, todo o mundo ganha "
Juliana de Faria, do Think Olga.

O programa #ElaFazHistória mostra mulheres empreendedoras e empoderadas que inspiram. O evento já passou por Recife e agora desembarca em São Paulo e Porto Alegre. Ainda em 2016, o programa se expandirá para a América Latina com palestras na Argentina, Colômbia e México. “É algo que vivenciamos juntos. Quando você empodera alguém, você também se empodera, se conhece e se descobre mais e mais”, afirmou Cadija.



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