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Na noite desta quarta-feira, o Cruzeiro aproveita a partida contra o Murici, em Alagoas, pela Copa do Brasil, para alertar sobre a violência contra a mulher. No lugar dos tradicionais uniformes, o time mineiro estampa camisas com os números que contam a história da desigualdade de gêneros no Brasil. A cada 11 minutos, é contabilizado um estupro. A cada 2 horas, uma morte. Os salários são 30% menores. 33% das brasileiras já sofreu assédio na rua.

A ação, costurada pela agência New360 com a ONG Azmina, pretende colocar no centro dos holofotes a discussão sobre como é ser mulher no Brasil. A ideia é inserir o assunto no ambiente tradicionalmente machista do futebol e alertar as pessoas sobre a violência e as desigualdades que atingem as mulheres. Na entrada do time, os jogadores carregarão uma faixa com a hashtag #VamosMudarOsNúmeros.

“O Cruzeiro Esporte Clube tem participado de diversas campanhas contra qualquer tipo de preconceito. Em pleno século 21, não é tolerável ver as mulheres sofrerem atos de violência e discriminação. Com esta ação, nos juntamos a todos que combatem as desigualdades contra pessoas do sexo feminino. Esse é um dos papéis sociais que os clubes de grandes torcidas precisam sempre estar desenvolvendo”, ressalta o presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, em entrevista ao Site Oficial do Cruzeiro.

No momento de informação é que entra a ONG Azmina. Em seu portal, o feminismo é fio condutor e várias matérias contam que a luta das mulheres é diária e muito importante. O objetivo é que a discussão saia de campo e se apoie nas reportagens do Azmina. “A New360 teve a ideia e nos encontrou na procura de uma organização que trabalhasse com mulheres. Adoramos e começamos, no ano passado, a apurar os dados. No final de fevereiro, na procura por um time que fosse jogar no Dia Internacional da Mulher, apresentamos a ideia ao Cruzeiro, que amou logo de cara”, explica Letícia Bahia, Diretora Institucional d’AzMina.

Ela conta que, depois que o time abre-alas com os números, a revista aprofunda o assunto. “Acho emblemático estar em um ambiente marcadamente machista. É uma oportunidade de conversar com um público que ou não conhece ou, se conhece, repudia o feminismo. É um público que enxerga a data como um dia de flores, mas queremos levar política. É uma oportunidade ímpar”, afirma a diretora.

A ONG fará um material em vídeo da experiência e a expectativa é que a procura pelo site e pelo assunto aumente nos próximos dias. Por enquanto, Letícia comemora a repercussão que a ação recebeu: até o jornal inglês The Guardian deu destaque à campanha.



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